18/09/2018 08h21
Casa 'só com mãe e avó' é 'fábrica de desajustados', afirma Mourão
Vice na chapa de Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB) disse nesta segunda-feira, 17, em São Paulo, que famÃlias pobres "onde não há pai e avô, mas, sim, mãe e avó" são "fábricas de desajustados" que fornecem mão de obra ao narcotráfico.
"A partir do momento em que a famÃlia é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas, sim, mãe e avó, por isso é fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narcoquadrilhas", disse ele, durante palestra a empresários, fazendo um paralelo entre formação da famÃlia e ação de bandidos em áreas carentes.
Mourão também criticou a polÃtica externa adotada nos governos petistas de aproximação com outras economistas emergentes. Ele se referiu a esses paÃses como "mulambada". "E aà nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, existente do outro lado do oceano, do lado de cá, que não resultou em nada, só em dÃvidas que foram contraÃdas e que nós estamos tomando calote disso aÃ."
Na semana passada, Mourão já havia feito declarações consideradas polêmicas. Ele disse que o PaÃs precisaria de uma nova Constituição, mais enxuta e focada em "princÃpios e valores imutáveis", mas não necessariamente por meio de uma Assembleia Constituinte. Para ele, o processo ideal envolveria uma comissão de notáveis, que depois submeteria o texto a um plebiscito, para aprovação popular - o que, hoje, não se enquadra nas hipóteses previstas em lei.
Nesta segunda, ele voltou a citar o tema da Constituição. Segundo o candidato a vice, a reforma da Carta representaria a "mãe de todas as reformas", uma vez que ela está desatualizada, apesar das emendas que sofreu.
Bolsonaro
Adotando um tom presidencial, o candidato a vice discursou por cerca de uma hora no evento promovido pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) com outras 21 entidades, que se reuniram num grupo chamado Reformar Para Mudar.
Em sua fala, Mourão citou apenas uma vez Bolsonaro, que continua internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, se recuperando do atentado que sofreu em Juiz de Fora (MG). "Bolsonaro é um estadista, não pensa apenas nesta eleição, mas nas próximas gerações", afirmou ele.
Mourão reclamou também da forma como as forças policiais são criticadas quando atuam, na sua definição, "como polÃcia". "Temos de lembrar que direitos humanos são para humanos direitos", disse o general. "Se a polÃcia age como polÃcia, é duramente criticada: é o genocÃdio, o martÃrio da população brasileira. É trabalho enfrentar isso daÃ", disse ele, que foi aplaudido pela plateia.
O militar foi aplaudido outras duas vezes enquanto discursava, ambas ao defender o livre mercado e a iniciativa privada. Ele defendeu, por exemplo, a privatização das áreas de refino e distribuição da Petrobras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo