18/09/2019 09h30
Choques ideológicos entre RenovaBR e partidos brasileiros é destaque no 'FT'
O jornal britânico de economia Financial Times trouxe nesta quarta-feira, 18, em sua versão online uma reportagem sobre os choques que começaram a existir do RenovaBR e outros movimentos similares com os tradicionais partidos polÃticos do Brasil. Como personagem condutor do texto foi escolhida a deputada Tabata Amaral, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), denominada um "respiro de ar fresco" para muitos brasileiros moderados, exaustos pelas constantes controvérsias em torno do presidente Jair Bolsonaro.
A publicação descreveu que a parlamentar de 25 anos é formada em Harvard e emergiu nos últimos meses como uma estrela em ascensão da polÃtica brasileira e um contraponto ao presidente. Explicou também que faz parte do RenovaBR, uma organização que se autodenomina uma escola de treinamento apartidária, com o objetivo de criar uma nova geração de polÃticos brasileiros éticos, imaculados pela corrupção e pelo sistema partidário cÃnico brasileiro.
O FT identificou o movimento como "uma das forças polÃticas mais poderosas do PaÃs" desde que os escândalos da Lava Jato abalaram o Brasil e prevê um desempenho "importante" nas eleições municipais. Para o jornal, assim como Bolsonaro, o RenovaBR encontrou seu nicho aproveitando o desencanto dos brasileiros com a "velha polÃtica". Ao mesmo tempo, partidos tradicionais, como o PT e o PSDB, foram vencidos. Na sua primeira eleição, o movimento elegeu 17 novos candidatos de vários partidos, com currÃculos acima da média. Segundo o RenovaBR, houve o pedido de 31 mil inscrições para seu programa de treinamento.
A crescente popularidade do grupo, no entanto, colocou-o em rota de colisão com os partidos tradicionais, de acordo com o veÃculo britânico. Temem que os parlamentares eleitos com o apoio do RenovaBR sejam leais ao movimento, e não ao partido - uma preocupação ilustrada por Tabata. Ela ganhou destaque por sua defesa articulada da educação no momento em que o governo de Bolsonaro anunciava cortes. "Vinda de uma famÃlia pobre de uma favela de São Paulo, sua história falava das aspirações dos brasileiros, dizem seus apoiadores. Mas Tabata votou a favor de uma contenciosa reforma previdenciária à qual seu partido e muitos brasileiros da classe trabalhadora se opuseram", comparou o diário.
Para analistas, o RenovaBR é apenas um dentre muitos grupos que buscam "novas polÃticas" no Brasil após a destruição causada pelo escândalo da Lava Jato. Usando técnicas diferentes, Bolsonaro está fazendo o mesmo, com suas constantes crÃticas à s trocas de cavalos da "velha polÃtica" do Brasil.
Mas à medida que sua influência cresce, o RenovaBR é cada vez mais criticado, conforme o FT. Com o financiamento proveniente de empresários ricos, incluindo o bilionário suÃço-brasileiro Jorge Paulo Lemann, crÃticos questionam se os parlamentares que ele alimenta são autônomos em suas decisões polÃticas ou pertencem a seus "senhores corporativos". Em vez de renovar, eles temem que o RenovaBR seja mais um negócio no Brasil.
O fundador do movimento, Eduardo Mufarej, rejeita a ideia de que o RenovaBR busca influenciar o comportamento de voto dos eleitos sob seu guarda-chuva. Ele diz que o foco está em instilar um senso de ética polÃtica em uma nação que se recupera da corrupção.
Após uma lucrativa carreira em private equity, Mufarej estabeleceu o RenovaBR em 2017, em meio à s consequências da Lava Jato, que implicou dezenas de polÃticos e empresários entre os mais proeminentes do Brasil em acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele argumentou que, inicialmente, queria promover mudanças por meio de partidos tradicionais, mas rapidamente ficou desiludido com as regras e o comportamento já arraigados.
Fonte: Estadão Conteúdo