30/08/2018 22h10
Ciro diz que reajuste de servidores é 'bofetada no rosto da população'
O candidato do PDT à Presidência nas eleições 2018, Ciro Gomes, chamou nesta quinta-feira, 30, de "uma bofetada no rosto da população" o aumento de salários a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e servidores federais, medida que considerou vergonhosa em virtude da crise nas contas públicas. Ciro, que cumpriu agenda de campanha na Unicamp, em Campinas (SP), também defendeu uma ação mais efetiva do governo para acolher refugiados venezuelanos e a mediação de uma solução para o conflito no paÃs vizinho.
O pedetista relacionou o reajuste a uma "falta de compostura da elite brasileira" e o qualificou de "vergonhoso". "Não é que o salário seja grande, eu acho que os juÃzes têm que receber salários crescentes, os maiores possÃveis, e acho francamente uma impostura ficar falando mal de salário", disse. "Eu estou falando agora é da ocasião, volto a repetir, temos 13,7 milhões de brasileiros desempregados, 32 milhões de brasileiros vivendo de bico, na informalidade, correndo da repressão, 60 mil mulheres foram estupradas no Brasil nos últimos 12 meses sem nenhuma punição."
O presidente Michel Temer definiu reajuste de 16,38% ao Judiciário, com acordo junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo fim do auxÃlio-moradia pago aos magistrados, para tentar equilibrar os gastos com o aumento de salários. O reajuste para os servidores federais, que poderia ser adiado, acabou mantido.
Crise venezuelana
"Evidente que não (fecharia a fronteira à entrada de venezuelanos), nosso paÃs é construÃdo por mão de obra escrava, que foi violentamente trazida de forma desumana da Ãfrica pra cá. É um paÃs que foi criado por ondas migratórias muito importantes na história da humanidade", afirmou o pedetista sobre a crise na Venezuela. "O Brasil tem que cumprir a sua tarefa, de natural lÃder da região, e mediar aquele conflito. Nesse momento a gente tem de fazer tudo que esteja a nosso alcance, mesmo sendo pobres, como somos, para ajudar aquelas pessoas que estão em pior situação, que perderam sua comida, perderam sua casa, estão saindo de seu paÃs com muita dor, procurando um refúgio humanitário."
Ciro criticou também a decisão do governo americano de separar filhos de imigrantes brasileiros dos pais. "Outro dia o senhor Trump separou crianças brasileiras de seus pais, em jaula como se fosse animal, e esse tipo de comportamento é nazista", afirmou.
Comunidade acadêmica
Ciro fez uma visita ao Laboratório de Genômica e Proteônica da Unicamp, onde falou à comunidade acadêmica, e defendeu mais investimentos em pesquisa, como a dos biocombustÃveis. Uma alternativa de recursos, segundo ele, é a revogação do teto de gastos implementado pelo governo Temer. Ele voltou a fazer uma alusão indireta ao adversário Jair Bolsonaro (PSL), afirmando que a polÃtica nacional está cultivando "Hitlerzinho". A expressão já havia sido usada por ele ao falar sobre Bolsonaro nesta quarta-feira, 29, em agenda em BrasÃlia.
"A lucidez não está na polÃtica, ela recolhe a lucidez, e a lucidez e se empodera com os rumos que a população dá", afirmou. Segundo o pedetista, as universidades são "essa lucidez", mas estão apartadas do desenvolvimento nacional e deveriam ser priorizadas.
"Ontem estive na reunião com os reitores. Eu tinha que ir ou na reunião com a Confederação Nacional da Agricultura, que são os poderosos, os barões do agronegócio, ou entre os reitores. Eu cancelei a ida na CNA e fui nos reitores, fui o único, mas os meus adversários não estão percebendo. O Brasil está em uma encalacrada tão grave, tão sofisticada, que ou a gente pede socorro ao pensamento universitário ou o paÃs vai para o brejo mesmo", disse à plateia de professores e alunos.
Fonte: Estadão Conteúdo