27/04/2022 19h10
Ciro Gomes diz que Lula e Bolsonaro governam 'das mãos para boca'
O pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, voltou a criticar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), lÃderes nas pesquisas de intenção de voto ao Planalto. Apesar de dizer que "não acho que eles são maus, e eu sou o bom", o presidenciável disse que os dois adotam um modelo de governança "da mão para a boca".
"Não acho que Bolsonaro seja mau, que o Lula seja mau, e eu sou bom. O problema é que o erro estratégico é administrar um paÃs desses da mão pra boca. E aà deixa coisas paradas pelo caminho", disse Ciro. Ele participou nesta quarta-feira, 27, da 23ª Marcha a BrasÃlia em Defesa dos MunicÃpios, organizada pela Confederação Nacional dos MunicÃpios (CNM).
Ciro também criticou a "falta de modelos" para administração do PaÃs. "O Brasil não tem modelo para nada. ninguém sabe o que fazer em tecnologia, em infraestrutura, é um caos completo", afirmou. Ele citou como exemplo o programa Mais Médicos do governo Dilma, que trouxe profissionais de saúde cubanos para atender regiões do PaÃs que tinham déficit de profissionais da saúde.
"O Brasil, em vez de investir na formação do capital humano e mexer nas residências, resolveu atalhar o caminho e importar médico de Cuba. O Brasil precisa importar um quadro profissional de um paÃs menor que o Rio Grande do Sul e mais pobre que o nosso?", questionou. A crÃtica ao programa é recorrente também por parte de Bolsonaro, que diz que o dinheiro pago aos médicos ia para o ex-presidente cubano Fidel Castro (1926-2016).
O presidenciável ainda criticou o baixo nÃvel de investimento do governo brasileiro. Ele lembrou que o PaÃs tem um dos maiores orçamentos do mundo, de R$ 4 trilhões previstos para esse ano, mas só R$ 44 bilhões devem ficar livres para aplicação em áreas como infraestrutura, saúde e educação. Para resolver parte do problema, Ciro propõe cortar 20% das renúncias fiscais feitas atualmente.
"O Brasil dispensa R$ 350 bilhões em arrecadação por ano. Só nisso (corte em renúncias), sobra R$ 70 bilhões para investimentos por ano." Ele também prometeu fazer com que o PaÃs tenha o mesmo nÃvel de desenvolvimento da Espanha nos próximos 30 anos e que abriria o caminho para isso com um pacote de investimentos feitos em quatro anos de seu evento governo.
DÃvidas
Ciro afirmou que vai rever a dÃvida de estados e municÃpios com a União caso seja eleito. De acordo com o pedetista, juntos, os entes federados possuem débitos com o governo que somam R$ 600 bilhões, apenas 10% do total da dÃvida pública brasileira. A revisão do montante poderia aumentar a margem dos municÃpios e estados para investimentos, acredita Ciro.
"Eu proponho um pacto federativo reconstituÃdo. Primeiro passo: a dÃvida consolidada dos municÃpios e dos estados é de R$ 600 bilhões, isso é menos de 10% da dÃvida brasileira. Não há nenhuma razão para o Estado não fazer uma grande consolidação desse passivo e restaurar a capacidade de investimento dos estados e, avassaladoramente, tirar a burocracia dos municÃpios naqueles acessos a recursos multilaterais", disse.
Fonte: Estadão Conteúdo