31/08/2021 18h20
CNA defenderá tese do marco temporal para demarcação de terras indígenas
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defenderá nesta quarta-feira, 1º, no Supremo Tribunal Federal o cumprimento do marco temporal para as demarcações de terras indÃgenas. O julgamento da tese será retomado nesta quarta-feira pela Suprema Corte e a CNA é "amicus curiae" (instituição que fornece subsÃdio à s decisões dos tribunais) no processo. Os argumentos serão apresentados pelo chefe da assessoria jurÃdica da entidade, Rudy Ferraz. "É a única interpretação constitucional que consegue conformar todos os direitos fundamentais previstos na Carta da República, buscando segurança jurÃdica, estabilidade das relações sociais no PaÃs e solução pacÃfica das controvérsias", disse Ferraz, em resposta enviada ao Broadcast Agro.
O marco temporal define que uma terra indÃgena só pode ser demarcada se for comprovado que as comunidades originárias já estavam estabelecidas sobre o território requerido na data da promulgação da Constituição Federal, ou seja, em 5 de outubro de 1988. Os povos indÃgenas que não conseguirem comprovar legalmente a ocupação das terras até esta data não terão direito a pedir demarcação e poderão ser removidas compulsoriamente dos territórios. A tese é defendida pelo governo e por ruralistas.
A CNA avalia que a ocupação indÃgena no marco temporal é o "referencial insubstituÃvel" para o reconhecimento de uma área como terra indÃgena e observa que a tese é aplicada há mais de uma década pelo Poder Judiciário. Para Ferraz, a confirmação do marco temporal pelo STF resguardaria o direito de propriedade e o direito de usufruto de terras pelos Ãndios, fornecendo segurança jurÃdica e fundiária. Segundo ele, o julgamento não abordará as terras indÃgenas já demarcadas, mas sim como serão tratadas as reivindicações por novas demarcações das comunidades indÃgenas. "As reivindicações das comunidades indÃgenas para demarcação de novas áreas deverão ser precedidas de prévia e justa indenização das propriedades privadas eventualmente afetadas, ou seja, reconhecendo o direito de todos os envolvidos, o que propiciará a solução pacÃfica dos conflitos", afirmou Ferraz. Na avaliação do assessor jurÃdico da CNA, a rejeição do marco temporal geraria relativização dos tÃtulos de propriedades do PaÃs e insegurança jurÃdica.
Fonte: Estadão Conteúdo