27/03/2019 18h00
Comemoração de 1964 ficará dentro dos quartéis, diz Bolsonaro em entrevista na TV
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 27, que não houve ditadura militar no Brasil. Em entrevista ao programa do apresentador José Luiz Datena, na TV Bandeirantes, Bolsonaro afirmou que as comemorações do 31 de março ficarão restritas aos quartéis militares e serão feitas apenas a leitura de datas relativas ao que ele chama de revolução democrática de 1964.
"Vamos citar as datas, os números. Só isso", disse. O presidente afirmou que, na época, os jornais e organizações civis defenderam a saÃda do ex-presidente João Goulart do poder. Ele também minimizou o fechamento do Congresso Nacional ao comparar a edição de decretos-lei e a edição de medidas provisórias pelos governos pós-ditadura e disse que o regime militar não acabou com as liberdades individuais no PaÃs.
De acordo com Bolsonaro, o Congresso nos últimos 20 anos teve seus trabalhos interrompidos pela edição de muitas MPs que acabaram travando a tramitação de projetos de iniciativa dos parlamentares. O presidente, porém, admitiu que o regime militar teve problemas.
"Não foi uma maravilha. Regime nenhum. Qual casamento é uma maravilha? Se esse pessoal que no passado tentou chegar ao poder usando as armas e que hoje estão presos, se esse pessoal tivesse ganho aquela guerra, imagina como estaria o Brasil?", questionou em alusão a partidos de esquerda que lutaram contra a ditadura.
A determinação de que o golpe militar seja comemorado tem gerado crÃticas e reações de diversas instituições que contestam a ordem. A juÃza federal da 6ª Vara de BrasÃlia, Ivani da Silva Luz, mandou intimar o presidente sobre ação popular do advogado Carlos Alexandre Klomphas que pede para que sejam barrados os festejos em torno do aniversário do golpe. Conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo no domingo, 24, o presidente Jair Bolsonaro orientou os quartéis a celebrarem a "data histórica", quando um golpe militar derrubou o governo João Goulart e iniciou um regime ditatorial que durou 21 anos.
Relação com o Executivo
O presidente voltou a dizer que não tem problemas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. "Zero problema", afirmou ele. Mas disse que parlamentares "fazem tempestade em copo d'água" e questionou onde estaria errando. "Quem disse que teve ataque meu ao Rodrigo Maia? Quem disse que teve ataque meu ao Congresso?", questionou Bolsonaro, argumentando que seu erro foi escolher um ministério técnico, competente e independente. "Meu maior erro que cometi na polÃtica", declarou.
Segundo o presidente, quando se fala em velha e nova polÃtica, já se consegue no mÃnimo dividir o parlamento. "Pessoal reclama da aproximação. Que aproximação é essa? Não posso atender", afirmou.
Ele culpou ainda a imprensa pela impressão de que o cenário é de turbulência. "Tem muita coisa boa acontecendo. Lamentavelmente grande parte da mÃdia não divulga as duas coisas, prefere ficar na futrica, na fofoca", reclamou Bolsonaro, embora tenha dito mais adiante que busca aproximação com a mÃdia tradicional e não quer ser inimigo do jornalismo.
Fonte: Estadão Conteúdo