02/02/2019 15h00
De porrada a assassinato: relembre tumultos históricos dentro do Senado
Os xingamentos de Renan Calheiros contra Tasso Jereissati e a investida de Katia Abreu contra a presença de Davi Alcolumbre na mesa executiva do Senado na sexta, 1, estão longe de ser os primeiros ou mesmo os mais pesados tumultos na Casa.
Nesta sexta, o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) relatou que Renan passou por Tasso no corredor do plenário e disparou: "O responsável por isso é você, coronel, cangaceiro". Em seguida, segundo Randolfe, o diálogo ficou ainda mais agressivo. Tasso, que estava sentado, rebateu: "Você vai para a cadeia". Ao que Renan emendou: "Seu merda, venha para a porrada". Já Kátia Abreu (PDT-TO), aliada de Renan, surpreendeu os colegas ao tomar uma pasta de procedimentos de votação que estava na mesa e trocar pequenos esbarrões com Alcolumbre.
'Crápula!': Senador assassinado em 1964
Em 4 de dezembro de 1963, o senador Arnon de Mello (PDC-AL), pai do atual senador Fernando Collor, atirou contra Silvestre Péricles (PTB-AL). O segundo disparo acertou o abdome do senador José Kairala (PSD-AC), um comerciante de Brasiléia, que morreria horas depois no Hospital Distrital de BrasÃlia.
Tudo foi causado por uma acirrada rixa regional. Péricles, que andava armado, prometeu matar Arnon, que pôs um Smith Wesson .38 na cintura e marcou discurso para desafiá-lo. Péricles conversava com o senador Arthur VirgÃlio Filho (PTB-AM), pai do atual lÃder do PSDB, Arthur VirgÃlio Neto. Arnon provocou e Péricles partiu para cima, gritando "crápula!".
Arnon não deixou o rival se aproximar: sacou o revólver, mas antes que atirasse, Péricles, mais rápido, apesar dos 67 anos, jogou-se ao chão, enquanto sacava sua arma. O senador João Agripino (UDN-PB), tio do atual lÃder do DEM no Senado, José Agripino (RN), atracou-se com Péricles para tirar-lhe a arma. Kairala tentou ajudar, mas foi atingido pelo segundo disparo de Arnon.
'Engula essas palavras e as digira': Collor versus Simon
O ex-presidente da República e senador por Alagoas Fernando Collor reagiu de forma exaltada em agosto de 2009 ao discurso do colega Pedro Simon (PMDB-RS), quando o parlamentar gaúcho mencionou um episódio da trajetória polÃtica do alagoano.
"São palavras em relação a mim e as minhas relações polÃticas, são palavras que eu não aceito. E são palavras que eu quero que o senhor as engula e as digira como julgar conveniente", disse Collor, ameaçando, ofegante e irritado, em seguida, relembrar "fatos extremamente incômodos" para Simon.
"A próxima vez que tiver que pronunciar o nome de Vossa Excelência, eu gostaria de relembrar alguns fatos, alguns momentos, talvez extremamente incômodos a Vossa Excelência", disse o ex-presidente.
'Vou te pegar lá fora, vagabundo!': Randolfe versus AtaÃdes
Em 2017, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e AtaÃdes Oliveira (PSDB-TO) tiveram de ser contidos e quase partiram para as vias de fato durante a sessão para leitura do parecer da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Um recurso de Randolfe que poderia atrasar os trabalhos havia acabado de ser rejeitado por parlamentares por 13 votos a 11.
Os ânimos estavam exaltados na primeira discussão no Congresso após a crise polÃtica deflagrada pelas delações de executivos da JBS. Relator da proposta, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) se preparava para ler seu parecer quando a confusão começou. O documento, porém, foi publicado na internet durante a confusão e Ferraço o deu como lido.
A confusão começou quando Randolfe virou-se para o colega AtaÃdes e gritou: "Vocês estão sustentando um governo corrupto, mas nós não vamos aceitar isso." Visivelmente irritado, AtaÃdes partiu para o ataque. "Você é bandido e vagabundo", respondeu o tucano. Randolfe reagiu, usando os mesmos termos. "Bandido é você! Vagabundo é você! Me respeite!", bradou. "Vou te pegar lá fora, moleque, vagabundo!", devolveu AtaÃdes.
Deputados chegaram a subir na mesa durante a discussão. No fundo da sala, manifestantes gritavam "Fora, Temer!", "Golpistas" e "Jucá na cadeia". O lÃder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), mostrava-se impassÃvel. "O próximo passo é queimarem pneus aqui dentro!", afirmou Jucá. "A oposição está desesperada."
Fonte: Estadão Conteúdo