10/09/2021 18h40
Delegados da PF fazem lobby contra projeto bolsonarista de combate ao terrorismo
Delegados de PolÃcia Federal correm contra o tempo para tentar barrar o projeto de lei 1.595 de 2019, que trata de ações de combate ao terrorismo. Eles têm feito lobby junto a deputados pedindo que os parlamentares votem contra a proposta. A votação na comissão especial, marcada para esta sexta-feira, 10, foi cancelada pelo deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), presidente do colegiado.
O trabalho de abordagem vem sendo coordenado pela Federação Nacional dos Delegados de PolÃcia Federal (Fenadepol). A associação tem dito aos parlamentares que o PL apresenta 'diversas inconstitucionalidades, invasão de atribuições dos órgãos da segurança pública e formas de atuação repressivas muito amplas e similares a um Estado de SÃtio'. A avaliação é que as mudanças legislativas propostas pretendem transformar movimentos sociais e sindicais em terrorismo.
Uma coalizão de entidades que representam as PolÃcias Civil, Militar, Rodoviária e Federal chegou a enviar à Câmara dos Deputados uma nota técnica expondo suas crÃticas do projeto. O texto diz que as previsões do PL são 'extremamente amplas e elásticas para enquadramento de ações antiterroristas', abrindo caminho para uso polÃtico da lei.
Um ponto especÃfico questionado é a proposta de criação de uma Autoridade Nacional Antiterrorista. A ideia é vista com reservas porque, na avaliação das PolÃcias, confere ao novo órgão prerrogativas conflitantes com a autonomia dos Estados e com o sistema de segurança pública do PaÃs. Isso porque as atribuições para apurar, reprimir e prevenir ações terroristas ficariam submetidas, em última instância, ao presidente.
"Ademais, o texto do PL 1595/2019 confere em lei ordinária prerrogativas legais próprias de um estado de legalidade extraordinária previstas no âmbito dos artigos 135 e 136 do texto constitucional, havendo centralização excessiva em tema sensÃvel e que criará sérios problemas operacionais e conflitos interinstitucionais se aprovado desta maneira", alertaram as entidades.
Na lista das organizações que têm reservas ao projeto estão, além da Fenadepol, a Associação dos Delegados de PolÃcia do Brasil (Adepol), Associação Nacional dos Delegados de PolÃcia Federal (ADPF), a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), o Conselho Nacional de Entidades Representativas dos Profissionais do Sistema Socioeducativo (Conasse), a Federação Nacional dos Oficiais Militares Estaduais (Feneme), a Federação Sindical Nacional de Servidores Penitenciários e Policiais Penais (Fenasppen), a Federação Nacional de Sindicatos de Guardas Municipais do Brasil (Fenaguardas), a Federação Nacional dos Trabalhadores do Sistema Socioeducativo (Fenasse) e a Associação Brasileira de CriminalÃstica (ABC).
A proposta para atualizar as leis de combate ao terrorismo foi apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por meio do PL 5825, de 2016, quando ele ainda era deputado federal, mas não chegou a ser votada na Câmara e acabou arquivada. Coube ao deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) resgatar o projeto e apresentar o novo texto que está hoje em discussão na comissão especial e pode ser votado ainda neste mês.
Fonte: Estadão Conteúdo