30/03/2021 07h50
Depois de receber ameaças, Doria vai morar no Bandeirantes
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), passará a morar, pelo menos temporariamente, no Palácio dos Bandeirantes por causa dos constantes protestos em frente à casa dele, no Jardim Europa (zona oeste da capital), e das ameaças que vem recebendo.
A situação se agravou após o endurecimento das regras de restrição à circulação de pessoas no Estado, que enfrenta o pior momento da pandemia da covid-19. Doria, atualmente um dos principais adversários do presidente Jair Bolsonaro, tem acionado a polÃcia por causa das ameaças e inquéritos já foram instaurados.
"Meu desprezo por estes extremistas que ameaçam a mim, a minha famÃlia e ameaçam pessoas que defendem a vida. É uma decisão difÃcil, mas necessária nesse momento de muita intolerância ao pensamento contraditório, de belicismo verborrágico e de cegueira ideológica", diz trecho do comunicado assinado por Doria divulgado ontem e antecipado pelo blog da Coluna do Estadão.
Desde sua posse, em janeiro de 2019, Doria vinha utilizando a ala residencial do Bandeirantes apenas para despachos e reuniões de trabalho. Mas, segundo apurou o blog da Coluna do Estadão, os manifestantes, que se revezam em turnos, tiraram o sossego do governador e, principalmente, de seus familiares, limitando visitas inclusive nos fins de semana.
"O negacionismo na pandemia deixou de ser um delÃrio das redes sociais, provocado pela paixão polÃtica, e está se tornando algo muito mais perigoso para a vida, a ciência e a democracia: uma seita intolerante e autoritária", afirma o comunicado do governador de São Paulo.
'Tempos obscuros'
A nota diz ainda que "o fanatismo ideológico ignora a racionalidade e a legalidade" e "tem ultrapassado os limites do embate polÃtico e do questionamento técnico com ameaças e agressivas manifestações, perturbando o bairro e vizinhos". "Diante do radicalismo, decidi me mudar para o Palácio dos Bandeirantes. Regredimos a tempos obscuros em que a integridade fÃsica daqueles que defendem a vida e a democracia está sob ameaça. Vivi esse mesmo sentimento quando acompanhei meu pai no exÃlio. Dessa vez, no entanto, não haverá exÃlio, nem ditadura. Haverá ciência, vacinas, vidas salvas e democracia", afirma o comunicado.
No inÃcio de março, após a volta da fase vermelha no Estado, Doria registrou queixa por ameaça de morte. No dia 19, um grupo de cerca de 50 manifestantes tentou fazer um protesto na frente da casa do governador, mas não conseguiu chegar ao local porque a PolÃcia Militar, informada do ato, bloqueou várias ruas na região. O grupo levava caixas de som tocando músicas a favor de Bolsonaro e bandeiras do Brasil.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo