13/01/2019 16h42
Deputada que teve carro atingido por tiros relata que recebeu ameaça da milícia
A deputada estadual e ex-chefe da PolÃcia Civil do Rio, delegada Martha Rocha (PDT), que teve o carro atingido por tiros na manhã deste domingo, 13, relatou que recebeu uma ameaça vinda de um grupo da milÃcia, no inÃcio de novembro do ano passado. Segundo Martha, que comunicou o fato à s autoridades do Rio na época, a ameaça chegou três vezes pelo disque denúncia.
A mensagem, de acordo com ela, dizia que o grupo pretendia atingir algumas autoridades e que seu nome vinha especificado entre os alvos "com letras garrafais". "Falei pessoalmente na ocasião com o Rivaldo Barbosa (então chefe da PolÃcia Civil) e Gilberto Ribeiro (subchefe operacional) e pedi uma análise de risco para ver se aquele disque denúncia tinha fundamento ou não", disse.
Segundo a delegada, depois desta reunião, Ribeiro lhe telefonou para oferecer escolta policial por um mês, mas ela recusou e afirmou que queria apenas a apuração da denúncia. "Não recebi resposta do resultado dessa investigação", afirmou. "Se houve ausência de cuidado, quem tem que explicar são eles, até porque não sei qual foi a motivação desse fato (deste domingo)", afirmou.
Martha ainda declarou que, quando era delegada titular, atuou na área de Campinho, que é dominada pela milÃcia, e que trabalhou na investigação destas organizações criminosas.
"Quem olhar a minha trajetória na PolÃcia Civil vai verificar que a questão da milÃcia não foi desconhecida da nossa administração, ou seja, nós sempre tivemos um radar para a apuração dos casos de milÃcia. Eu quero dizer que a PolÃcia Civil inteira sabe que, na minha atuação como delegada, fui uma pessoa que enfrentou milÃcia e que eu, como chefe da PolÃcia Civil, não fechei os olhos para a atuação da milÃcia", declarou.
A deputada disse que, depois da ameaça, transmitida no dia 5 de novembro, ela comprou um carro particular blindado, já que o fornecido pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) não tinha esse equipamento. A blindagem não foi suficiente para lhe garantir segurança, já que estilhaços atingiram o seu motorista, um policial militar que lhe prestava serviços, no tornozelo.
Martha afirmou também que não reagiu durante toda a ação e que apenas tomou a medida de manter a sua mãe, de 88 anos, que também estava no carro, abaixada. Eles haviam buscado a mãe da deputada, que mora no bairro, e seguiam para assistir a uma missa na Tijuca.
Segundo a delegada, ainda na Penha, seu motorista notou que um carro Celta de cor banca estava atrás, com um dos homens, vestido de preto, luvas também pretas e touca no rosto. De acordo com o relato da delegada, em determinado momento, o homem colocou-se com a metade do corpo para fora do carro, portando um fuzil. Pouco tempo depois, este carro fez disparos contra o seu, atingindo o tornozelo do motorista e duas rodas.
O celta perseguiu o carro da delegada até a altura da Avenida Brasil. Na via, o motorista conseguiu entrar em uma das ruas próximas e dirigir até o Olaria Atlético Clube, onde buscaram socorro. Os criminosos entraram em outra rua e fugiram.
Fonte: Estadão Conteúdo