18/04/2017 19h54
Deputados delatados pela Odebrecht comandam reforma política na Câmara
Comandada por dois deputados que serão investigados após as delações da Odebrecht, a comissão da reforma polÃtica se reuniu nesta terça-feira, 18, e, mesmo sob as crÃticas de alguns parlamentares, deu seguimento à s discussões sobre mudanças nas regras do sistema polÃtico-eleitoral brasileiro.
Para o relator da comissão, deputado Vicente Cândido (PT-SP), não é "por causa de uma ou outra acusação" que o Congresso vai parar de tocar suas pautas. Ele e o presidente do colegiado, Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), estão na lista dos polÃticos alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
Já a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) defendeu, durante a reunião do colegiado, que o Congresso atual não tem legitimidade para fazer uma reforma que poderá beneficiar diretamente os polÃticos implicados na Lava Jato. "Nós estamos vivendo um momento de muita gravidade, fica até meio estranho que, ao mesmo tempo que a sociedade está perplexa acompanhando 24 horas por dia os depoimentos dos delatores da Lava Jato, esta Casa volta-se para si mesma, ensimesmada, como se nada estivesse acontecendo em torno dela e continue tratando de mudanças, de reformas, que vão impactar a vida do PaÃs", disse.
Vicente Cândido rebateu as crÃticas da parlamentar. "Eu não acho que, por causa de uma ou outra acusação, que o Congresso Nacional tem que ficar esperando a banda passar. Acho que o momento de crise é o momento de acelerar e de fazer as reformas que estão aqui pendentes", defendeu.
O deputado afirmou não ter nenhum "constrangimento" em permanecer como relator da comissão mesmo após o ministro do STF Edson Fachin ter autorizado a abertura de inquérito contra ele e disse que seria uma "uma irresponsabilidade muito grande" deixar que as eleições do ano que vem ocorram sob as atuais regras. "Nós temos que mudar, e mudar sem medo, com ousadia", disse.
As mudanças nas regras eleitorais têm sido consideradas pelos parlamentares como a única forma de garantir a "sobrevivência" da classe polÃtica após a avalanche de revelações feitas pelos executivos e ex-funcionários da Odebrecht. No total, 39 deputados, 24 senadores e 8 ministros serão investigados sob a suspeita de terem recebido recursos ilÃcitos da empreiteira, seja via caixa 2 de campanha ou propina.
Vicente Cândido, por exemplo, foi acusado de receber R$ 50 mil durante a campanha para auxiliar na busca por financiamento para a construção do estádio do Corinthians. Já Lúcio Vieira Lima teria recebido R$ 1 milhão para ajudar a aprovar uma medida provisória no Congresso. Ambos negam as acusações.
Fonte: Estadão Conteúdo