31/01/2019 07h50
Disputa no Senado tem recorde de candidatos
O número de parlamentares que se apresentam como candidatos à presidência do Senado, na véspera da votação, é recorde, podendo transformar a eleição desta sexta-feira, dia 1º, na mais disputada desde a redemocratização. Ao todo, nove senadores anunciaram disposição de disputar o pleito. Até então, o maior número de concorrentes havia sido registrado na eleição de 2001, quando três candidatos disputaram o cargo. A oficialização das candidaturas será feita pouco antes do inÃcio da sessão.
Uma das possÃveis explicações para esse crescimento é a pulverização de partidos no Senado desde 2015. Os resultados das urnas estabeleceram um quadro com parlamentares de 21 legendas, número muito superior à s 15 siglas com representantes eleitos quatro anos atrás. Com as negociações partidárias e o troca-troca de legendas, a Casa deve começar a próxima legislatura, no entanto, com um número menor: 17 siglas representadas.
Por conta disso, caso nenhum dos pré-candidatos desista de participar, os 81 senadores poderão ter de escolher entre Alvaro Dias (Podemos-PR), Ângelo Coronel (PSD-BA), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Esperidião Amin (PP-SC), José Reguffe (Sem partido-DF), Major OlÃmpio (PSL-SP), Renan Calheiros (MDB-AL), Simone Tebet (MDB-MS) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Um sÃmbolo dessa pulverização é que até mesmo a maior bancada do Senado, o MDB, com 13 senadores até o momento, pode registrar o fenômeno de ver dois de seus senadores disputarem os mesmos votos no plenário. A decisão final da bancada em relação a essa disputa deve sair nesta quinta-feira, 31, mas, mesmo se a bancada optar por Renan, a senadora Simone Tebet cogita se lançar como "candidatura avulsa".
"É natural (esse número de candidaturas), nunca o Senado teve tantos partidos. Isso é relação direta da fragmentação", disse Amin.
Entre os candidatos, há até senadores recém-eleitos que nunca tiveram mandato no Senado, como é o caso de Ângelo Coronel e Major OlÃmpio - um perfil considerado incomum para o Senado. "Eu não sou candidato só por ser candidato, eu sou o único até agora que trouxe propostas", afirmou Angelo Coronel, que tem sugerido que o Senado crie uma espécie de "ministérios paralelos" para fiscalizar os ministros do governo Bolsonaro.
'Anti-Renan'
O único aspecto em comum entre tantas candidaturas é a oposição ao nome de Renan Calheiros, que tenta se eleger pela quinta vez para a presidência da Casa. Os oito adversários do emedebista se reúnem nesta quinta, pela segunda vez, para tentar um consenso que unifique o voto "anti-Renan". Ainda assim, nenhum dos nomes colocados dá sinais de que pode abrir mão da eleição. O PSDB, de Tasso Jereissati, era a única legenda que flertava com um apoio a Simone Tebet, mas recuou depois que o MDB decidiu deixar apenas para esta quinta a decisão final sobre quem será o indicado pela legenda.
Como forma de constranger Renan, legendas como o próprio PSDB, o PSD e a Rede resolveram defender o voto aberto e anunciaram que seus senadores darão publicidade sobre como vão votar. "Se eu pudesse dar um conselho a ele (Renan) neste momento, eu recomendaria que ele não fosse candidato. Não é um bom momento", disse o lÃder da Rede, senador Randolfe Rodrigues (AP).
No PSD, essa medida criou constrangimento até mesmo com a cúpula da sigla. A reportagem apurou que, num jantar na segunda-feira, o presidente do partido, Gilberto Kassab, chegou a negociar com Renan a entrega de oito votos favoráveis a ele.
Pelo acordo, a legenda receberia em troca a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a Primeira-Secretaria. À reportagem, Kassab negou a existência dessas negociações e afirmou que os senadores do partido "estão livres" para votar nos candidatos que desejarem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo