31/05/2017 17h30
Em carta, Serraglio diz que Temer sofreu pressões de 'trôpegos estrategistas'
Em carta de despedida endereçada ao presidente Michel Temer, o ex-ministro da Justiça, deputado licenciado Osmar Serraglio (PMDB-PR), faz um balanço de seus poucos meses de gestão na pasta e diz que Temer sofreu pressões de "trôpegos estrategistas". Em uma mensagem de seis páginas, o peemedebista faz agradecimentos e diz que atuou para apaziguar os conflitos no campo, criando mutirões para demarcação de terras indÃgenas.
"Não posso concluir esta quadra de minha história sem agradecer ao presidente Michel Temer, pela confiança que em mim depositou porque sei das pressões que sofreu de trôpegos estrategistas", diz Serraglio. O deputado agradece também ao ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), "que sempre me apoiou, compreendendo as dificuldades em que eu navegava", ao PMDB do lÃder Baleia Rossi (SP), à s Frentes Parlamentares da Agropecuária e do Cooperativismo, "aos quais, fico sinceramente sentido, por pouco ter sido possÃvel concretizar em tão breve tempo". "TÃnhamos muitas esperanças", acrescenta.
Serraglio não foi à posse de seu sucessor, Torquato Jardim, mas disse esperar que as "boas sementes" que plantou no Ministério "se converterão em árvores frondosas, sob o comando do nosso novo ministro Torquato Jardim".
Na "carta-balanço", o peemedebista destaca que teve uma passagem "muito breve" mas "feliz" no Ministério da Justiça. Em sua versão, o deputado licenciado diz que praticou a descentralização e que valorizou a base de apoio do governo "num momento crucial de apoio às reformas do presidente Temer".
O peemedebista conta que trabalhava das 8h da manhã até o inÃcio da madrugada, enumera as audiências realizadas e os encontros polÃticos e destaca que recebeu "inúmeros caciques indÃgenas". "Enquanto se dizia que não recebia Ãndios, eles eram presença constante em meu gabinete", aponta.
No documento, o ex-ministro rechaça a afirmação de que ele esteve ausente nos momentos mais turbulentos da segurança pública. "Enquanto eu estaria ausente da última manifestação na Esplanada, não arredei um centÃmetro do Palácio da Justiça, acompanhando os trabalhos comandados pelo general Santos Cruz e as ações da Força Nacional", escreveu. "Na invasão do Ministério, ali estava presente, colaborando com o governo, para o sucesso de suas reformas", emendou.
No começo da carta, Serraglio cita o dramaturgo francês Victor Hugo e finaliza com ativista norte-americano Martin Luther King, onde diz sonhar com a pacificação do campo "para que nesta mesa da fraternidade, possam os Ãndios e os não-Ãndios, compartilhar a alegria de vivermos neste grande PaÃs".
Fonte: Estadão Conteúdo