01/04/2019 13h50
Em manifesto, diplomatas dizem que defesa do golpe de 64 prejudica imagem do País
Um grupo de diplomatas brasileiros divulgou nesta segunda-feira, dia 1°, um manifesto de repúdio à s declarações do presidente Jair Bolsonaro e do chanceler Ernesto Araújo em defesa do golpe militar de 1964. A narrativa do material usa a mesma definição adotada pelo presidente e alguns de seus ministros militares para classificar o fato histórico. Para eles, a derrubada de João Goulart do poder, que marcou o inÃcio do perÃodo de 21 anos de ditadura militar no Brasil, foi apenas um movimento para conter o avanço do comunismo no PaÃs.
O texto apoiado por dezenas de diplomatas, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, é apócrifo devido ao temor de represálias e retaliações por parte do chanceler. Segundo o manifesto, a postura de Bolsonaro e Araújo em relação ao golpe de 64 viola "os mais elementares compromissos que regem hoje a inserção internacional do Brasil e trazem danos graves à imagem do paÃs".
Os diplomatas repudiam ainda declarações do presidente em relação à s ditaduras de Alfredo Stroessner, no Paraguai, e Augusto Pinochet, no Chile, e lembram que a Comissão Nacional da Verdade fez diversas recomendações ao Itamaraty "entre elas a de compreender como foi possÃvel 'se deixar capturar' pelo envolvimento direto na repressão, com graves consequências para as vidas de muitos cidadãos brasileiros".
Por fim, o manifesto lista uma série de violações cometidas pelo regime militar.
"A ditadura instaurada em 1964 cometeu crimes contra a humanidade, de forma sistemática e como estratégia para se manter no poder por mais de vinte anos. Assassinou, sequestrou e torturou opositores de diversas correntes ideológicas, entre eles lideranças polÃticas contrárias à luta armada. Perseguiu funcionários públicos que não se sujeitaram ao arbÃtrio, inclusive militares e diplomatas. Censurou as artes, o pensamento e a expressão da pluralidade brasileira. Arrancou de gerações de brasileiros os direitos polÃticos mais fundamentais. Destruiu famÃlias, massacrou povos indÃgenas, estuprou mulheres, torturou crianças. Deixou profundas e deletérias marcas na vida institucional do PaÃs, cujas consequências para o efetivo respeito aos direitos humanos ainda hoje enfrentamos", diz o texto.
Fonte: Estadão Conteúdo