01/11/2018 12h50
'Está tudo na paz do Senhor. Paulo Guedes é meu ídolo', diz Lorenzoni
Com um fone no ouvido e um cronômetro na mão, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro ministro da Casa Civil, saiu nesta quinta-feira à s 7 horas em ponto de seu apartamento funcional, na Asa Norte de BrasÃlia. Correu cinco quilômetros em apenas meia hora. No percurso, ficou atento a notÃcias sobre polÃtica, economia e o novo governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).
"Está tudo na paz do Senhor. Paulo Guedes é meu Ãdolo", disse ele ao jornal O Estado de S. Paulo, quando questionado sobre crÃticas do futuro ministro da Economia, dias atrás. As especulações sobre divergências na equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro aumentaram quando Guedes afirmou, na terça-feira, 30, que Onyx era "um polÃtico falando de economia".
A "bronca" ocorreu quando o economista soube que o deputado, coordenador da equipe de transição de Bolsonaro, havia feito comentários sobre polÃtica cambial e dito que o projeto de reforma da Previdência do governo de Michel Temer não deveria ser aproveitado por ser uma espécie de "remendo".
Onyx ficou quieto. "O momento é de poucas palavras e muito trabalho", costuma repetir. Desde quarta-feira, 31, o futuro chefe da Casa Civil anda sem parar pelo Congresso, entrando e saindo de gabinetes e fazendo reuniões a portas fechadas com bancadas, como a evangélica. Recebe inúmeras reivindicações e a todos responde que Bolsonaro dará a palavra final.
"Estou aqui matando no peito, batendo escanteio e chegando na área para cabecear", afirmou Onyx. Na mão, o celular com o adesivo 17 - número de Bolsonaro na campanha - não para de tocar um minuto. Quando atende, o deputado recorre ao gauchês: "Fala, tchê!"
Ao ser perguntado sobre qual será a nova regra para o reajuste do salário mÃnimo, o homem que será articulador polÃtico do Planalto com o Congresso, a partir de 1º de janeiro, franze o cenho. "Guria, não dá para cobrar do governo que nem começou a solução de problemas que têm de ser resolvidos pelo governo que está aÃ", respondeu ele à repórter.
Na corrida desta quinta-feira nas imediações do prédio onde mora, Onyx não foi reconhecido na rua. Na volta, porém, a vigilante Cláudia Simões o esperava no saguão e quis tirar uma foto. "Suadão assim? Tu quer que eu troque de roupa?", perguntou. Diante da negativa da moça, abriu um sorriso e posou para os cliques. "É gente fina ele, viu?", falou Cláudia, que trabalha no edifÃcio. "Sempre conversa com todo mundo."
No braço direito, Onyx tem a tatuagem do Internacional de Porto Alegre, seu time do coração, a bandeira do Rio Grande do Sul, além da passagem bÃblica: "...E a verdade vos libertará" (João 8:32). Pai de cinco filhos e avô de três netos, ele mandou tatuar o nome de todos no braço esquerdo abaixo da inscrição "FamÃlia Lorenzoni".
Na próxima segunda-feira, dia 5, o deputado que está no quarto mandato na Câmara visitará o seu novo gabinete na Casa Civil. Esteve no Planalto nesta quarta, conversando com o atual ministro Eliseu Padilha, quando entregou a primeira lista com os 22 nomes de assessores de Bolsonaro, mas confessa que não deu para conhecer nada. "Foi uma correria", afirmou.
A partir de terça-feira, dia 6, Onyx despachará no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede da equipe de transição. "Me procura lá, tchê!", diz ele a todos que pedem uma conversa reservada.
Fonte: Estadão Conteúdo