14/09/2018 17h50
Fake news afetam investigação sobre atentado a Bolsonaro, diz Jungmann
O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse nesta sexta-feira, 14, que montagens de vÃdeo, teorias conspiratórias e fake news envolvendo o atentado ao candidato do PSL a presidente nas eleições 2018, Jair Bolsonaro, estão afetando as investigações. Segundo Jungmann, há muitas pistas espalhadas sobre o caso e todas estão sendo investigadas, o que afeta a conclusão da apuração policial.
"Toda e qualquer pista e informação estão sendo minuciosamente investigadas. Há um esforço para no mais curto tempo apresentar esses resultados", disse. Jungmann esteve em São Paulo nesta sexta-feira para conhecer o programa Detecta, sistema de monitoramento de delitos com mais de três mil câmeras criado há 4 anos.
O ministro afirmou que a expectativa é apresentar os resultados da investigação sobre o atentado antes do 1º turno (dia 7 de outubro), mas evitou cravar um prazo. A polÃcia abriu um inquérito contra Adelio Bispo, de 40 anos, que foi preso após confessar ter esfaqueado Bolsonaro. O governo avalia a possibilidade de abertura de um segundo inquérito caso haja necessidade de mais esclarecimentos.
"Minha esperança é que hoje tivéssemos isso (os resultados e a definição da necessidade de um 2º inquérito). Mas você tem as mÃdias, os dados, as informações do agressor, e depois todas essas pistas que você vê espalhadas por aÃ", afirma Jungmann. Segundo ele, dois vÃdeos divulgados virtualmente já foram verificados como falsos. Em um deles, uma mulher teria aparecido entregando uma faca ao agressor. Segundo Jungmann, a mulher do vÃdeo é, na verdade, uma policial. Outro vÃdeo de um homem dando um soco em Bolsonaro naquela tarde do ataque também é montagem.
"Fica o tempo inteiro... Qualquer coisa que aparece imediatamente se vai para uma teoria conspiratória. A nossa postura é: qualquer coisa que aparece, a gente investiga. É o chamado fake news. Fake news é a negação da verdade e representa uma ameaça à democracia". O ministro diz ainda que as fake news criam "verdades alternativas": "Quando o fake news vem, ele estabelece uma verdade alternativa. Desvia as pessoas, cria fatos e gera comoção."
Logo após a facada em Bolsonaro e a prisão de Adelio, o cÃrculo polÃtico mais próximo ao presidenciável passou a colocar em dúvida a tese de que o criminoso agiu sozinho - a mais forte até agora na investigação da PF.
Os simpatizantes de Bolsonaro promoviam uma caçada à identidade de pessoas que apareciam nos vÃdeos gravados no momento do ataque, distribuÃdos por redes sociais e aplicativos como Facebook, WhatsApp e Twitter e a plataforma Reddit, espécie de fóruns para colagem de conteúdo sobre um mesmo assunto. O auge da ação ocorreu entre sexta-feira e a segunda-feira passadas.
Conforme o jornal O Estado de S. Paulo informou, a PolÃcia Federal tem se preocupado com uma espécie de apuração coletiva informal, realizada na internet por apoiadores do candidato à Presidência nas eleições 2018 Jair Bolsonaro (PSL), para apontar envolvidos no atentado a faca sofrido pelo deputado.
A "caçada virtual" levou pessoas apontadas erroneamente como "suspeitas" a denunciarem o caso à s autoridades. Essa movimentação em busca de culpados causou apreensão também entre integrantes da campanha, que vieram a público pedir cautela. O objetivo é evitar que pessoas sem vÃnculo com o atentado, entre eles um segurança do candidato, virassem alvo de agressões.
Por meio de nota, a PF orientou que relatos sobre crimes devem ser feitos preferencialmente de forma presencial nas delegacias e que outra opção é a ouvidoria do órgão na internet.
Após o ataque a Bolsonaro, o único candidato que solicitou segurança à PF foi Fernando Haddad (PT), oficializado candidato esta semana. O governo federal fará uma análise de risco para determinar a equipe. "Mas ele terá pelo menos 25 agentes federais", afirma o ministro.
O ministro se reuniu nesta sexta com o secretário-adjunto da Segurança Pública, Sérgio Turra Sobrane, que apresentou o funcionamento do Detecta. O governo federal estuda incorporar o modelo do sistema paulista de monitoramento do crime ao Serviço Único da Segurança Pública (SUSP). Na próxima segunda-feira, 17, em BrasÃlia, será apresentado um conselho que vai atuar no SUSP, a nova polÃtica nacional de segurança pública. O objetivo é unificar a base de dados das polÃcias, integrando nacionalmente as forças policiais.
Fonte: Estadão Conteúdo