05/10/2018 17h41
Filho de Cabral é condenado por 'carteiradas' em presídio para visitar o pai
O deputado federal Marco Antonio Cabral (MDB), candidato à reeleição, foi condenado por improbidade administrativa pela Justiça Federal. O filho do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e seu herdeiro polÃtico foi sentenciado "à perda da função pública, à proibição de contratar com a administração pública por três anos e ao pagamento de multa de 337 mil reais" por ter usado sua carteira de deputado para visitar o pai na prisão por 23 vezes.
A decisão foi do juiz Ricardo Levy Martins, da 11ª Vara Federal do Rio de Janeiro, e decorre de ação do Ministério Público Federal ajuizada em 2017. Marco Antônio utilizou a carteira para entrar no presÃdio Bangu 8 em dias e horários proibidos para visitação. "Em 11 dessas visitas irregulares, o deputado sequer estava exercendo o mandato parlamentar, porque à época atuava como secretário Estadual de Esporte e Lazer", apontou a Justiça Federal.
O juiz entendeu que as visitas eram de foro Ãntimo, sem relação com o exercÃcio do mandato, e que, portanto, o uso do documento foi indevido, representando "grave violação à s regras de visitação das unidades prisionais do Estado do Rio". Ele considerou que Marco Antônio violou "princÃpios da moralidade, honestidade e legalidade, na forma do art. 11 da Lei 8429/92, consistente na indevida utilização de prerrogativa parlamentar para realizar visitas de interesse exclusivamente particular a seu genitor".
A sentença diz ainda: "Não se deve perder de vista que o membro do Poder Legislativo, justamente por ser o principal formulador das leis, deveria ser um dos principais defensores da aplicação geral e despersonalizada das normas que produz. Esta verdade inafastável revela o especial desvalor daquele que utiliza indevidamente suas prerrogativas para, violando os princÃpios mais básicos da moralidade, honestidade e legalidade, colocar-se à margem da incidência da norma que rege a vida dos demais cidadãos".
E também que "a sanção no presente caso merece ser tal que, em primeiro lugar, evidencie à sociedade o quão grave e intolerável é a desvirtuação das prerrogativas atribuÃdas aos mais altos cargos da República, e em segundo lugar, impacte na consciência do agente Ãmprobo, de forma que sirva como uma grave lembrança de que o mandato que lhe foi atribuÃdo pelo voto não pode ser utilizado para atingir interesses exclusivamente privados."
O procurador da República Gustavo Magno Albuquerque, autor da ação, considerou que a sentença "é um belo presente de aniversário pelos 30 anos da Constituição de 1988, e reafirma a ideia fundamental de que a lei deve valer para todos. O deputado deu 23 'carteiradas' para burlar normas que devem ser respeitadas pelos visitantes de presÃdios e abusou das prerrogativas que recebeu do povo para o exercÃcio do mandato parlamentar. A condenação é mais uma importante contribuição do MPF e da Justiça Federal para pôr fim à dinastia da improbidade iniciada por Sérgio Cabral, já condenado a quase 200 anos de prisão, e levada à frente por seu filho Marco Antônio."
Marco Antônio respondeu assim à notÃcia, por meio de sua assessoria de imprensa: "A divulgação de uma suposta condenação que não está no processo, na véspera da eleição, tem objetivo de influenciar o processo eleitoral. O deputado federal afirma que não cometeu nenhum ato de improbidade e que irá tomar as medidas legais contra esse vazamento."
Governador do Rio entre 2007 e 2014, Cabral está preso desde novembro de 2016, e já foi condenado por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A ele é atribuÃdo o maior esquema de corrupção de que o Rio já teve notÃcia, com cobrança de propina em áreas como transportes, saúde e obras e uma movimentação de cerca de R$ 1 bilhão.
Fonte: Estadão Conteúdo