10/12/2018 14h10
Fundação criada por Damares Alves afirma que é 'vítima de perseguições'
A fundação Atini Voz pela Vida, criada pela futura ministra da Mulher, FamÃlia e Direitos Humanos, Damares Alves, declarou que tem sido "vÃtima de perseguições" por se posicionar contra a prática do infanticÃdio indÃgena em aldeias no Brasil.
Por meio de nota, a instituição fundada em 2006 afirmou que foi criada com o propósito de apoiar "famÃlias que buscavam outras alternativas ao sacrifÃcio de suas crianças, além de denunciar o abuso e o maltrato em relação à infância e à mulher indÃgena".
Em 2015, o Ministério Público Federal no Distrito Federal entrou com uma ação contra a Atini por "dano moral coletivo decorrente de suas manifestações de caráter discriminatório à comunidade indÃgena", em função da divulgação de um filme sobre infanticÃdio indÃgena feito pela organização.
O MPF exigiu que a instituição fosse proibida de veicular o vÃdeo documentário "Hakani - A história de uma sobrevivente". O filme, segundo o MPF, tinha o objetivo de "chamar atenção acerca do tema 'infanticÃdio indÃgena' e legitimar as ações missionárias no interior das comunidades indÃgenas". Em outubro de 2017, a Justiça do DF determinou a retirada do filme de todos os lugares. O processo está em fase de recurso.
Segundo a Atini, sua missão é combater "quaisquer tentativas relativistas de condicionar ou banalizar a titularidade desses direitos". "A instituição entende que é absolutamente injusto condicionar os direitos humanos exclusivamente a fatores como o contexto cultural ou lugar de nascimento de alguém."
Segundo o presidente da Atini, Reginaldo Veloso, apesar de a instituição ter sido fundada por Damares Alves, a pastora e advogada atou na instituição até 2015. "Sua saÃda, como associada, se deu pelo fato de a futura ministra estar engajada, naquele momento, em várias frentes ligadas aos Direitos Humanos. Esclarecemos, portanto, que a futura ministra não é parte e não responde, em processo algum, envolvendo a entidade."
Parceira da Atini na produção do filme, a organização "Jocum Brasil - Jovens com uma missão", declarou que o documentário tem "o objetivo precÃpuo de denunciar os males concernentes à prática de infanticÃdio em comunidades tradicionais, através da narrativa da história de vida de Hakani, uma criança indÃgena que teve o privilégio de ser salva do cruel destino traçado por sua tribo à sua vida".
Segundo a organização, o filme não tem o propósito de "macular a honra da comunidade indÃgena ou fomentar o ódio contra os silvÃcolas em geral, da forma como - de maneira errônea - acredita o Ministério Público Federal nos estados mencionados".
"Infundadas são as interpretações que se espalham de que toda a comunidade indÃgena se revoltou com a exibição do docu-drama, haja vista os inúmeros relatos existentes - e colecionados aos autos dos processos que tratam da matéria - de indÃgenas que condenam a prática de infanticÃdio em suas comunidades."
Fonte: Estadão Conteúdo