08/12/2019 23h10
Greta Thunberg diz que indígenas foram assassinados por tentar proteger florestas
A jovem ativista sueca Greta Thunberg, um dos principais nomes pela luta contra os efeitos das mudanças climáticas, afirmou neste domingo, 8, que os povos indÃgenas do Brasil estão sendo assassinados por proteger as florestas. A declaração vem um dia após um ataque a tiros ter deixado duas mortes e dois feridos no Maranhão.
"Os povos indÃgenas estão sendo literalmente assassinados por tentar proteger as florestas do desmatamento. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso", escreveu Greta, que compartilhou uma notÃcia da Al Jazeera reportando o atentado.
No inÃcio da tarde de sábado, 7, dois Ãndios da etnia guajajara morreram após atentado a balas à s margens da BR-226, no municÃpio de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão, 500 quilômetros ao sul da capital São LuÃs. De acordo com a Fundação Nacional do Ãndio (Funai), os indÃgenas foram atingidos por tiros disparados por ocupantes de um veÃculo. Antes, em 1º de novembro, Paulo Paulino Guajajara foi morto em uma emboscada na Terra IndÃgena Arariboia (MA) quando realizava uma ronda contra invasões.
Greta Thunberg iniciou em agosto de 2018 um movimento que passou a inspirar jovens ao redor do mundo quando começou a faltar às aulas nas sextas-feiras, o Fridays for Future, para pedir ações mais efetivas do governo sueco contra as mudanças climáticas.
Em setembro, à s vésperas da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, a greve do clima atraiu 4 milhões de pessoas em mais de 100 paÃses. Em Nova York, com a liderança de Greta, foram cerca de 250 mil pessoas. Foi também na ONU que a jovem proferiu seu discurso mais contundente até então, quando disse que os jovens não perdoariam os lÃderes mundiais se eles falhassem com essa geração.
Repercussão
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou que o "banho de sangue" exige uma resposta firme e urgente das autoridades brasileiras. "O assassinato de dois indÃgenas Guajajara não pode ficar impune. É preciso conter a barbárie e chegar aos responsáveis por esses atos criminosos. Minha solidariedade ao povo Guajajara", escreveu em seu Twitter.
No sábado, a lÃder indÃgena Sônia Guajajara disse que é hora de dar um basta nas mortes. "Me preocupa a explosão de violência e intolerância na Amazônia. Esses três assassinatos em 35 dias no Maranhão não podem ser considerados crimes isolados. São casos articulados e fomentados por essa onda de incitação ao ódio em curso no Brasil", afirmou à reportagem.
A deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR), lÃder da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos IndÃgenas, comentou que a situação é urgente e ligou o aumento da violência à impunidade. "A violência está crescendo porque não há punição", disse.
Ela defendeu que a PolÃcia Federal e a Força Nacional atuem provisoriamente para garantir a segurança da região, mas pediu uma atuação contÃnua e permanente, com maior fiscalização. "É essencial que se crie uma base de proteção contra essa violência orquestrada".
Fonte: Estadão Conteúdo