21/02/2018 10h50
Grupo de Trabalho Perus identifica restos mortais de militante político
Pela primeira vez desde o inÃcio das suas atividades, o Grupo de Trabalho Perus (GTP) concluiu a identificação de uma das vÃtimas encontradas na vala clandestina no Cemitério de Perus, em São Paulo. As análises permitiram a confirmação da identidade de Dimas Antonio Casemiro, morto em abril de 1971 por agentes de repressão polÃtica do regime militar (1964-1985).
A confirmação definitiva foi concluÃda no dia 16 de fevereiro, após o GTP ter recebido os resultados de exames de DNA extraÃdos da primeira remessa de amostras biológicas enviadas para análise genética à International Commission on Missing Persons (ICMP), entidade internacional com sede em Haia, na Holanda, e que atua como parceira do Grupo.
Os resultados indicaram vÃnculo genético entre os restos mortais pertencentes a um dos casos enviados e as amostras sanguÃneas dos familiares de Dimas.
O laudo genético foi trazido pessoalmente ao Brasil pelo Diretor de Ciência e Tecnologia da ICMP, Dr. Thomas Parsons, que se reuniu com o coordenador cientÃfico do GTP, Dr. Samuel Ferreira, e equipe de peritos no Brasil para análise do caso.
A identificação genética foi então confirmada pelos estudos antropológicos, odontológicos e informações ante-mortem de Dimas Antônio Casemiro, relativas à altura, idade, dentição e ao trauma por ação de projétil de arma de fogo.
"Com esse resultado, o GTP e as entidades que o compõem apresentam resposta concreta à sociedade e especialmente aos familiares de mortos e desaparecidos polÃticos, os quais, no caso da famÃlia de Dimas, poderão finalmente render-lhe honras funerárias e encerrar dignamente o seu processo de luto", afirma a procuradora Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos PolÃticos (CEMDP). Por solicitação dos familiares, suas identidades e contatos serão preservados.
Militante
Dimas Casemiro atuou no movimento estudantil de Votuporanga (SP), sua cidade natal, até que se mudou para São Paulo e passou a militar na Ala Vermelha. Posteriormente, participou da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), do qual foi dirigente.
Nos termos dos relatórios da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos PolÃticos (CEMDP), Dimas Antônio Casemiro foi morto entre 17 e 19 de abril de 1971, alvejado por arma de fogo em tiroteio simulado - mesmo método utilizado em vários outros casos.
A CEMDP concluiu ainda que Dimas foi torturado entre os dias 17, data em que foi supostamente alvejado, e o dia 19, data do exame da necropsia, desmentindo a versão oficial de "morte em tiroteio". Desde então, seu corpo estava desaparecido.
Fonte: Estadão Conteúdo