06/09/2021 10h50
Grupos acampam em Brasília à espera de atos do 7 de Setembro
Grupos que pretendem ir à s ruas nos atos convocados pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, no 7 de Setembro se anteciparam e desembarcaram em BrasÃlia já no fim de semana. Acampamentos foram montados em dois locais diferentes da capital federal e alguns simpatizantes foram à Esplanada no domingo ostentar faixas de apoio a Bolsonaro, com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e até pedindo intervenção militar.
Um dos locais de concentração é o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Jayme Caetano Braun, no Setor de Clubes Esportivos Sul, a pouco mais de 5 km do local onde ocorrerão os atos de terça-feira.
Apoiadores estacionaram ônibus, trailers, motocicletas, carros e armaram barracas no local para aguardar a manifestação. O outro fica mais afastado, a cerca de 30 km da Esplanada, no Parque Leão, em Recanto das Emas, região administrativa de BrasÃlia.
Com temperaturas chegando a 33ºC e clima seco, alguns optaram por estender as redes sob as árvores. Outros decidiram enfrentar o sol e foram até o local da manifestação, na Esplanada dos Ministérios, para "esquentar" o ato. O número de apoiadores de Bolsonaro nas ruas era pequeno, mas a tendência é que aumente até a terça-feira.
Pelas ruas de BrasÃlia, ambulantes aproveitaram o clima e vendiam bandeiras do Brasil, de Israel e do Rio Grande do Sul - as maiores saÃam a R$ 120 e a pequena, a R$ 40.
Na Esplanada, a maioria dos manifestantes ficou em frente ao Congresso Nacional, com bandeiras do Brasil e faixas pedindo intervenção.
"Queremos o presidente Bolsonaro no poder", dizia uma das faixas, apesar de ele estar no cargo desde janeiro de 2019.
Além disso, faixas "autorizavam" o presidente a intervir no Legislativo e no Judiciário.
Em um vÃdeo publicado nas redes sociais, um grupo aparece em frente à sede do STF pedindo ao chefe do Planalto para usar a "pólvora" e promover uma "faxina geral" no tribunal. "O povo exige a intervenção militar com Bolsonaro no Poder", dizia outro cartaz em frente ao Congresso, com os dizeres em inglês logo abaixo "The people demand military intervent on with Bolsonaro in power".
Inquérito
O ministro do STF Alexandre de Moraes abriu um inquérito para investigar atos antidemocráticos durante a organização da manifestação e tem sido o principal alvo das crÃticas e ataques bolsonaristas.
No sábado, 4, Bolsonaro discursou em BrasÃlia, renovou ataques a integrantes do STF e afirmou que não queria "retrato" dele ou de nenhum polÃtico na manifestação.
Bandeiras e faixas com a foto de Bolsonaro, no entanto, eram frequentes nas mãos e nos veÃculos dos manifestantes.
Hotéis
Além dos veÃculos e das barracas, a estada de outros bolsonaristas em BrasÃlia tem sido mais luxuosa. Conforme o jornal O Estado de S. Paulo mostrou no sábado, 4, os hotéis de BrasÃlia, que tradicionalmente ficam vazios nos feriados, estão com lotação máxima para os próximos dias.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (Abih-DF) aponta para uma ocupação de quase 100% nesta segunda-feira e no dia 7.
Segurança
Por enquanto, os apoiadores que chegaram à capital aproveitam para circular pelas vias de BrasÃlia, buzinar, ostentar bandeiras e gritar para outros motoristas no trânsito. A circulação de veÃculos só será interrompida na Esplanada no dia da manifestação, de acordo com o governo do Distrito Federal.
Para reforçar a segurança, as autoridades do DF decidiram separar os manifestantes pró-governo, que ficarão na Esplanada dos Ministérios, dos crÃticos de Bolsonaro, que devem se concentrar na Torre de TV a partir da manhã de terça.
Fonte: Estadão Conteúdo