18/07/2020 21h30
Instituto Raoni: líder indígena foi internado com quadro de hemorragia digestiva
O Instituto Raoni informou por meio de nota que o cacique Raoni, internado em Mato Grosso, apresentou um quadro de hemorragia digestiva. "Ele começou a apresentar sintomas de desidratação há oito dias e foi transferido de sua aldeia, no Território IndÃgena Capoto-Jarina, para um hospital em ColÃder, na quinta-feira, 16. Em função de sua idade, seu estado de saúde inspira cuidados e, até o presente momento, não foi possÃvel determinar a causa que resultou em severa anemia", declarou a organização.
Maior liderança indÃgena do PaÃs, cacique Raoni está internado em Mato Grosso, após agravamento do seu quadro de saúde. No mês passado, o lÃder da etnia caiapó perdeu a mulher, Bekwyjkà Metuktire, e, desde então, tem apresentado um quadro depressivo.
Indicado ao prêmio Nobel da Paz em 2019, Raoni estava internado em um hospital de ColÃder (MT), mas foi transferido para Sinop (MT), depois de seu estado de saúde piorar. Segundo o boletim médico, divulgado neste sábado, 18, Raoni está acordado, mas se alimenta com dificuldade e se queixa de fraqueza. A piora do seu quadro é devido ao agravamento de uma anemia e problemas renais.
"Raoni foi transferido para Sinop (MT), onde vai fazer novos exames. Estou muito preocupado com meu tio. Vamos fazer tudo para ele ficar bom", disse ao Estadão o intérprete de Raoni, seu sobrinho Megaron Txucarramãe.
Em setembro do ano passado, Raoni esteve em BrasÃlia onde se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para falar sobre direitos aos povos indÃgenas. Um dia antes dessa visita, o presidente da República Jair Bolsonaro havia feito crÃticas diretas ao cacique. "Acabou o monopólio do senhor Raoni", disse, ao citar YsaniKalapalo, liderança indÃgena que viajou com Bolsonaro aos Estados Unidos.
Em junho do ano passado, em entrevista ao Estadão, Raoni fez crÃticas duras à forma como o governo Bolsonaro tem conduzido as polÃticas indigenistas e disse que seu povo corre o risco de desaparecer, se nada for feito. "Queremos dialogar com o governo, mostrar a ele que nós, indÃgenas, não aceitamos o que Bolsonaro pensa sobre nós, não aceitamos a violação dos direitos indÃgenas e dos territórios indÃgenas. Essa gestão é contra o povo indÃgena", disse.
O cacique tentou se reunir com Bolsonaro para levar ao presidente o pleito da comunidade indÃgena, mas teve seu pedido de encontro negado pelo presidente. "Os povos indÃgenas estão preocupados. Acreditam que Bolsonaro pode acabar com nosso povo. Queremos falar, mostrar para o governo essa pressão que sofremos de madeireiros e garimpeiros. Precisam respeitar nossos direitos."
Desde o inÃcio do governo Bolsonaro, as demarcações de terras indÃgenas no PaÃs foram paralisadas. O que se pretende é abrir as áreas atuais para exploração das áreas, o que hoje é proibido por lei.
Ãcone da luta dos indÃgenas brasileiros, Raoni ganhou notoriedade internacional no fim da década de 1980. Em 1987, o músico britânico Sting iniciou uma série de viagens pela Amazônia, onde conheceu o cacique, em 1989. A amizade com o lÃder da tribo dos caiapós levou Sting a se engajar na causa ecológica e na luta pela demarcação das terras indÃgenas no Xingu. A parceria levou à criação da Rainforest Foundation, entidade que atua na proteção da floresta e de seus povos tradicionais.
"Até hoje somos parceiros e amigos", disse Raoni, ao mencionar a amizade com o vocalista do The Police. "Devemos nos ver em breve", comentou, na ocasião.
Fonte: Estadão Conteúdo