03/07/2020 15h40
Interferência na PF é impensável, mas autonomia não é soberania, diz Mendonça
O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, disse nesta sexta-feira (03) ser "ilusório pensar" que qualquer presidente, ministro ou polÃtico tem poder de ingerência na PolÃcia Federal. Mendonça assumiu a pasta após o ex-ministro Sergio Moro sair do governo alegando que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente na corporação. O caso é apurado em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Então elucubrar uma interferência no trabalho da PolÃcia Federal é impensável. E não é nesse governo. É em qualquer governo. Qualquer governo que tente isso não vai ter êxito. Pelo contrário. Terá contra si uma avaliação não só polÃtica, mas de uma situação de risco jurÃdico evidente", disse o ministro em live promovida pelo BTG Pactual, conduzida pelo ex-ministro do STF, Nelson Jobim, que hoje é presidente do conselho de administração do banco.
Mendonça ponderou, por sua vez, que a autonomia e independência da corporação não "significa soberania de atuação". "Eu, como ministro, demando atuação efetiva da PF, cobro resultado, quero saber se estão fazendo operações, quais dificuldades estão tendo. Seria irresponsável se eu não o fizesse, se presidente da República não cobrasse isso", disse.
"O que a gente cobra é que persigam crime de modo parcial, de modo isento, sem perseguição de grupo A ou B, que tenham atuação responsável", continuou.
Na reunião ministerial do dia 22 de abril, que se tornou pública após decisão da Justiça, Bolsonaro afirmou que não poderia "viver sem informação" e ser "surpreendido com notÃcias". "Eu não posso ser surpreendido com notÃcias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações", disse o presidente na ocasião.
"E não dá pra trabalhar assim. Fica difÃcil. Por isso, vou interferir! E ponto final, pô!", disse também Bolsonaro. Ao sair do Ministério da Justiça, Moro alegou que a reunião seria uma prova da tentativa de interferência do presidente na PF.
Fonte: Estadão Conteúdo