28/11/2021 21h46
Juiz condena ex-prefeito de Ferraz por compra de 40 imóveis durante dois mandatos
O juiz Fernando Awensztern Pavlosvki, da 2ª Vara de Ferraz de Vasconcelos, condenou o ex-prefeito Jorge Abissamra (2004-2012) e seus dois filhos, Jorge Abissamra Filho e Victor Tannios Abissamra, por ato de improbidade administrativa gerador de enriquecimento ilÃcito. A condenação é relativa à compra, pelo trio, de mais de 40 imóveis de valor "incompatÃvel à evolução lÃcita de seu patrimônio" durante a gestão de Abissamra, entre 2004 e 2012. De acordo com a Procuradoria-Geral do municÃpio, os valores dos imóveis, somados, alcançam aproximadamente R$ 50 milhões.
O despacho ainda declarou que todos os imóveis listados na ação de improbidade, ainda que comprados em nome de terceiros, pertencem a Abissamra, "ante a simulação do negócio jurÃdico de compra e venda". A sentença determina a perda dos imóveis em favor do municÃpio e condena o ex-prefeito e seus filhos ao pagamento de multa correspondente ao valor do acréscimo patrimonial. A sentença não é definitiva. Abissamrra e seus filhos podem recorrer.
Segundo Pavlosvki, a compra dos imóveis se deu em prejuÃzo do patrimônio público, uma vez que os recursos empregados para as aquisições "foram obtidos a partir de desvio e malbaratamento de dinheiro público, por ação dolosa conjunta dos réus". Além disso, o juiz entendeu que a compra "se deu em manifesta violação aos princÃpios da honestidade, legalidade e lealdade à s instituições".
"A prova produzida torna claro que a compra dos imóveis indicados na inicial em nome dos réus consistiu em ato de improbidade gerador de enriquecimento ilÃcito. Restou evidenciado que os réus, por conduta comissiva e com dolo conjunto, perceberam vantagem patrimonial ilÃcita, ampliando seu patrimônio a partir de desvio de recursos públicos", escreveu o magistrado em decisão proferida na terça-feira, 23.
A decisão foi dada no âmbito de ação impetrada pela Procuradoria-Geral de Ferraz de Vasconcelos. O municÃpio sustentou que Abissamra "mesmo antes de ingressar no cargo polÃtico, iniciou conduta de esvaziamento patrimonial e de constituição de patrimônio em nome de terceiros" e, durante o perÃodo em que foi prefeito, fez diversas aquisições de bens imóveis e móveis, em valores vultuosos, valendo-se de seus filhos, Jorge Abissamra Filho e Victor Tannios Abissamra, como "laranjas".
A Procuradoria do municÃpio alegou ainda que o ex-prefeito teria constituÃdo duas empresas, das quais seus filhos eram sócios, para "ocultação de patrimônio e desvio de verbas públicas". A petição inicial frisa que a movimentação patrimonial de Jorge Abissamra e de seus filhos é incompatÃvel com os rendimentos que percebeu no perÃodo na condição de prefeito.
Além disso, o municÃpio lembrou que o ex-prefeito já foi condenado em "diversas ações, cÃveis e penais, por conta de desvio de verbas públicas e fraudes em licitações" e apontou indÃcios de que ele tenha mascarado a origem de valores recebidos de forma ilÃcita para constituição de patrimônio em nome de "laranjas".
Defesa
Citados, Abissamra e seus filhos sustentaram que não houve "demonstração" mÃnima da prática de ato de improbidade gerador de enriquecimento ilÃcito ou causador de prejuÃzo ao erário, argumentando que as provas apresentadas pela Procuradoria do municÃpio não "evidenciariam ilicitude dos recursos empregados para compra dos imóveis ou terem sido efetivamente comprados por Jorge Abissamra".
Eles alegaram que os bens foram comprados a partir de seus esforços pessoais, de forma parcelada.
Ao analisar o caso, juiz Fernando Awensztern Pavlosvki afastou a justificativa apresentada pelos réus para o "extraordinário" aumento patrimonial.
Segundo o magistrado, o trio se escorou em um suposto "tino de investidor" de Abissamra, "que teria multiplicado seu patrimônio no decorrer desses anos somente por meio de compra e venda de imóveis". "Tal hipótese, além de beirar o absurdo, indica que os acusados agem com desleixo e indiferença ao serem questionados sobre os graves atos que lhes são imputados", registrou.
COM A PALAVRA, A DEFESA
A reportagem busca contato com Jorge Abissamra e seus filhos. O espaço está aberto para manifestações.
Fonte: Estadão Conteúdo