06/07/2018 17h10
Justiça converte prisão temporária de CEO da GE em preventiva
O juiz Marcelo Bretas da 7ª Vara Federal Criminal converteu a prisão temporária de Daurio Speranzini Júnior, CEO da GE, em preventiva. A decisão foi publicada nesta sexta-feira, 6. A prisão preventiva é a sanção máxima que um suspeito de crime pode ter antes do julgamento e não tem prazo para acabar.
Bretas justificou a decisão destacando que o Ministério Público Federal (MPF) encontrou na residência de Daurio um dossiê, datado de 20 de junho de 2018, contra um denunciante seu. A testemunha foi fundamental para o MPF nas investigações da operação Ressonância, sobre fraude nas licitações da área da saúde celebrados pelo Estado do Rio e pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).
A testemunha relatou que a Philips, onde Daurio era CEO na época dos fatos, teria vendido equipamentos nesse esquema. Outra testemunha declarou que a empresa seria integrante do denominado "clube do pregão internacional" em contratos com a Saúde do Rio.
"Segundo os documentos obtidos na residência de Daurio, na efetivação da medida de busca e apreensão, a participação, em tese, do investigado na organização criminosa parece contemporânea aos fatos".
Bretas também afirma que a testemunha alvo do dossiê encontrado na casa de Daurio levou ao conhecimento as negociações irregulares que vinham ocorrendo no âmbito dos procedimentos licitatórios do Into.
"Nota-se, pois, que há fortes indÃcios de que Daurio participa ativamente da organização criminosa, consoante à s declarações dos colaboradores e dos novos elementos probatórios" escreveu Bretas, na decisão.
No dia da operação, a GE respondeu que "as alegações são referentes ao perÃodo em que o executivo atuou na liderança de outra empresa". "A GE ressalta que não é alvo das investigações. A empresa acredita que os fatos serão esclarecidos pela Justiça e está à disposição para colaborar com as autoridades".
Já a Philips disse que estava cooperando com as autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos quanto à s alegações apresentadas, "que datam de muitos anos atrás". "Os atuais lÃderes executivos da Philips não são parte da ação da PolÃcia Federal; um colaborador da equipe de vendas da Philips foi conduzido para prestar esclarecimentos. A polÃtica da Philips é realizar negócios de acordo com todas as leis, regras e regulamentos aplicáveis. Quaisquer investigações sobre possÃveis violações dessas leis são tratadas muito seriamente pela empresa."
Fonte: Estadão Conteúdo