30/01/2019 01h10
Juíza Carolina Lebbos veta ida de Lula ao velório do irmão
A juÃza da Vara de Execuções Penais de Curitiba, Carolina Lebbos, rejeitou, no inÃcio da madrugada desta quarta-feira, 30, pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que pudesse comparecer ao velório do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em São Bernardo do Campo (SP). Vavá morreu nesta terça-feira, 29, e será enterrado nesta quarta.
A magistrada acolheu manifestação do Ministério Público Federal e seguiu ofÃcio da PolÃcia Federal, que negou, em decisão administrativa, o comparecimento do petista ao velório.
"Este JuÃzo não é insensÃvel à natureza do pedido formulado pela defesa. Todavia, ponderando-se os interesses envolvidos no quadro apresentado, a par da concreta impossibilidade logÃstica de proceder-se ao deslocamento, impõe-se a preservação da segurança pública e da integridade fÃsica do próprio preso", diz Lebbos na decisão.
Desde abril do ano passado, o petista cumpre pena de 12 anos e um mês pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex do Guarujá (SP), no âmbito da Operação Lava Jato.
Os advogados de Lula apresentaram o pedido para que o ex-presidente pudesse comparecer ao velório de Vavá à s 15h50 desta terça. A juÃza então intimou o Ministério Público Federal para que se manifestasse.
Às 18h14, a defesa reiterou o pedido e requereu que a magistrada decidisse mesmo sem o parecer do Ministério Público Federal, que ainda não havia sido apresentado. Os advogados alegaram que o caso era urgente, já que o velório ocorreria ainda nesta terça.
Às 19h43, o procurador da República da 4ª Região Januário Paludo pediu que fosse apresentado, pela PolÃcia Federal, relatório sobre a viabilidade do transporte e da escolta de Lula a São Bernardo do Campo. A juÃza então oficiou a PF para que apresentasse a análise.
Em ofÃcio encaminhado à s 21h50, a PolÃcia Federal tomou a decisão administrativa de rejeitar o pedido do petista. A PF viu risco de fuga, de resgate ou até mesmo de manifestações de populares que pudessem ferir a integridade do petista e dos presentes no velório.
O superintendente da PolÃcia Federal do Paraná, Luciano Flores de Lima, ainda ressaltou que "os helicópteros que não estão em manutenção estão sendo utilizados para apoio aos resgates das vÃtimas de Brumadinho".
De posse da decisão da PF, o Ministério Público Federal se manifestou, à s 22h26, contra o pedido de Lula. Foi só após o parecer que a juÃza vetou a ida de Lula ao velório de Vavá, já na madrugada desta quarta.
Antes mesmo da decisão, os advogados do ex-presidente impetraram um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. No pedido, a defesa alega que o presidente passa por "constrangimento ilegal", já que o direito de comparecer a velórios de parentes é "cristalino". O desembargador de plantão, Leandro Paulsen, não analisou o pedido por considerá-lo "prematuro", já que Lebbos ainda não havia tomado sua decisão.
Precedente.
Em 1980, durante o regime militar, Lula foi liberado da prisão que cumpria no Departamento de Ordem PolÃtica e Social (Dops), por causa da participação dele nas greves dos metalúrgicos, para comparecer ao enterro da mãe, Dona Lindu. À época, o então sindicalista permaneceu 32 dias preso.
Fonte: Estadão Conteúdo