25/10/2017 13h00
Juízes defendem Bretas e repudiam 'ameaça' de Sérgio Cabral
A Associação dos JuÃzes Federais do Brasil (Ajufe) repudiou, em manifestação pública, nesta quarta-feira, 25, "toda e qualquer tentativa de intimidação ou ameaça aos juÃzes federais no exercÃcio das suas funções". A principal entidade da classe se referiu à s declarações do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), em interrogatório perante o juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal, o juiz da Lava Jato, no Rio, que o condenou a 58 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e supostamente exercer a liderança de organização criminosa.
Na audiência, Cabral sugeriu ter conhecimento detalhado da vida pessoal do magistrado e de sua famÃlia. E acusou Bretas de buscar "projeção pessoal", submetendo-o a um "calvário".
O interrogatório ocorreu na segunda-feira, 23. O peemedebista disse que familiares de Bretas vendem bijuterias. Cabral estava sendo interrogado em ação penal na qual é acusado de lavar dinheiro de propinas por meio da compra de joias milionárias para ele e sua mulher, Adriana Ancelmo, na H Stern.
Bretas disse que a declaração poderia até ser subentendida como ameaça. "É no mÃnimo suspeito e inusitado o acusado, que não só responde a este processo como a outros, venha aqui trazer em juÃzo informações sobre a rotina da famÃlia do magistrado. Além de causar espécie, como bem observou o Ministério Público Federal, de que apesar de toda a rigidez ele tenha se privilegiado de informações que talvez ele não devesse", disse o juiz da Lava Jato, no Rio.
Durante o interrogatório, o procurador Sérgio Pinel requereu a transferência de Sérgio Cabral para um presÃdio federal de segurança máxima. Bretas ordenou a remoção do ex-governador.
A Ajufe ressaltou que "os próprios advogados do acusado (Sérgio Cabral) reconheceram ter sido descabida a menção à famÃlia do juiz".
"A Ajufe ressalta mais uma vez que os juÃzes federais têm aplicado a lei e julgado imparcialmente os casos sob sua apreciação, inclusive aqueles envolvendo a Operação Lava Jato", afirmou a entidade, em nota subscrita pelo presidente da Ajufe, Roberto Carvalho Veloso. "Todos devem se submeter à lei, não se admitindo tratamento privilegiado em decorrência de poder econômico ou polÃtico, tendo os presÃdios federais se mostrado uma alternativa viável à s indevidas interferências daqueles que estão presos, dentre outras razões, para não prejudicarem a investigação criminal."
Fonte: Estadão Conteúdo