08/03/2022 19h00
Laudo da PF diz que não há 'sinais de adulteração' em vídeo íntimo atribuído a Doria
Um laudo do núcleo de criminalÃstica da superintendência da PolÃcia Federal em São Paulo concluiu que não há sinais de adulteração no vÃdeo Ãntimo atribuÃdo ao governador João Doria (PSDB) nas eleições de 2018.
"O perito analisou a direção da iluminação, disposição de personagens e objetos e suas relações na imagem, assim como a continuidade do sinal de áudio, não encontrando sinais de adulteração nas imagens examinadas", diz um trecho do documento entregue no final do mês passado.
Em nota, o tucano afirmou que a PolÃcia Federal decidiu "ressuscitar" a investigação "justamente quando se aproximam as próximas eleições presidenciais" e acusa uma tentativa de prejudicar sua pré-candidatura ao Planalto.
O documento foi produzido a pedido da Delegacia de Defesa Institucional da PF em São Paulo para tentar identificar as seis mulheres que aparecem na gravação, por meio de cruzamento com imagens de redes sociais e fontes abertas, o que segundo o perito responsável não foi possÃvel. De acordo com o laudo, a gravação não tem qualidade suficiente, "gerando uma resposta nula pelo sistema".
"As imagens extraÃdas do material questionado têm baixa definição nas regiões de interesse e a baixa iluminação, os ângulos de enquadramento e as distâncias (câmera-pessoa) não favorecem à identificação de pessoas. Assim, essas imagens não apresentaram um resultado nos sistemas de banco de dados de imagens disponÃveis e não são adequadas ao exame de Comparação Facial", afirma técnico responsável pela análise.
O vÃdeo repercutiu no segundo turno das eleições de 2018, quando Doria foi eleito governador, e usado para atacar a candidatura do tucano. Ele sempre negou a autenticidade de gravação e pediu a abertura de uma investigação sobre o caso. A movimentação nas apurações ocorre a sete meses das eleições que Doria pretende disputar como candidato a presidente.
COM A PALAVRA, O GOVERNADOR JOÃO DORIA
"Fui surpreendido hoje com a informação de que a PolÃcia Federal decidiu ressuscitar a investigação de um caso da eleição de 2018, que se tornou o maior crime eleitoral já realizado contra um candidato na história do Brasil, justamente quando se aproximam as próximas eleições presidenciais.
Laudos independentes produzidos na época do episódio comprovaram de maneira cristalina que o vÃdeo em questão é uma fraude primária. A Revista Veja publicou em outubro de 2018 documento técnico que comprovou "alterações digitais" e manipulação. Um segundo laudo independente também comprovou a fraude desse vÃdeo.
É revoltante que PolÃcia Federal não tenha investigado os autores do crime em 2018. Agora, quatro anos depois do episódio, utiliza essa fake news não para elucidar o caso, mas para atingir a vÃtima desta armação sórdida.
Lamentavelmente, uma parte da instituição de Estado tem sido utilizada para propósitos polÃticos, como já ocorreu recentemente com outros pré-candidatos à presidência. É uma afronta ao Estado Democrático de Direito.
Não me intimidei na época desse crime e não me intimidarei com essa tentativa rasa para prejudicar a minha pré-candidatura.
A determinação de construir um paÃs mais justo, próspero e pacificado é maior do que a tentativa torpe de atacar a minha honra e da minha famÃlia."
Fonte: Estadão Conteúdo