27/08/2017 09h24
Lava Jato afeta avaliação, afirmam especialistas
A pesquisa Ipsos mostrou que o desgaste não é mais exclusividade dos Poderes Executivo e Legislativo. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também já são vistos com desconfiança por parte da população. Para a cientista polÃtica Maria do Socorro Braga, a avaliação negativa de nomes como Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Edson Fachin é resultado da Operação Lava Jato.
"Eles são avaliados por atitudes e decisões tomadas nesse âmbito ou envolvendo personagens que estão sendo julgados pela operação. A opinião pública está muito sensÃvel a esses desdobramentos", disse. "Toda e qualquer impressão de impunidade recai sobre os ministros", afirmou a cientista polÃtica e professora da Universidade de São Paulo (USP).
A sensação da opinião pública, segundo a pesquisadora, é de que os ministros do Supremo atuariam de forma corporativista, decidindo questões do próprio interesse, como o aumento de vencimentos do Judiciário.
Comparação
O também cientista polÃtico Marco Antônio Teixeira, da PontifÃcia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), disse que os ministros mal avaliados também sofrem com uma possÃvel comparação com o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, juiz de primeira instância.
"Joaquim Barbosa e Sérgio Moro encarnaram de alguma forma um certo ativismo polÃtico que agradou à opinião pública", afirmou. "A sociedade deseja um Supremo que se oponha à classe polÃtica, mas Cármen Lúcia e Fachin têm posicionamentos mais moderados. Já Gilmar Mendes demonstra outro lado, aquele em que o Supremo está muito próximo de alguns grupos polÃticos", disse Teixeira.
Cláudio Couto, da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou que a "boa avaliação alcançada pelo STF no passado estava mais relacionada à espetacularização dos julgamentos transmitidos pela televisão do que por qualquer atração autêntica pelas figuras". "Nesse ambiente do espetáculo, é natural que juÃzes como Joaquim Barbosa e Sérgio Moro apareçam travestidos de juÃzes justiceiros."
Já para o professor de Direito Constitucional Oscar Vilhena, também da FGV, é preciso cautela ao avaliar a performance de ministros e juÃzes na pesquisa. "A qualidade de um juiz não pode ser mensurada pela popularidade nem pela impopularidade. Às vezes, aplicar a lei é impopular. Não se pode avaliá-los pela mesma régua da polÃtica."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo