01/03/2019 09h10
Lava Jato quer explicações da ex-mulher de Paulo Vieira sobre conta em Portugal
A força-tarefa da Operação Lava Jato requereu nesta quinta-feira, 28, à juÃza federal Gabriela Hardt que intime a ex-mulher do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, apontado como operador do PSDB, a prestar "esclarecimentos sobre a abertura de conta bancária junto à Millenium BCP, em Portugal". Vieira de Souza está preso preventivamente desde 19 de fevereiro, suspeito de lavagem de dinheiro e de operar propinas para polÃticos tucanos.
A Lava Jato quer que Ruth Arana indique "a origem e a causa econômica dos valores aportados na instituição financeira". Os procuradores pediram ainda que a ex-mulher de Vieira de Souza explique "se há qualquer relação dos montantes com as atividades e/ou recursos mantidos" pelo ex-diretor da Dersa.
A Procuradoria afirma que o ex-diretor da Dersa manteve R$ 131 milhões em quatro contas no banco Bordier & CIE, de Genebra, em nome da offshore panamenha Groupe Nantes SA, da qual o operador é beneficiário econômico e controlador. As contas foram abertas em 2007 e mantidas até 2017.
Na manifestação à Gabriela Hardt, o Ministério Público Federal relatou que, em e-mail de junho de 2018, Ruth Arana de Souza abre conta bancária em instituição financeira em Portugal. A mensagem foi trocada após as prisões de Vieira de Souza pela Lava Jato São Paulo, em abril.
"Chama a atenção o fato de que o investigado manteve contas no exterior, por longo tempo secretas, abastecidas com recursos ilÃcitos de empreiteiras investigadas no âmbito da Operação Lava Jato. Inclusive, parte substancial dos valores foi transferida para conta bancária nas Bahamas, ainda sem notÃcia de eventuais transferências posteriores", afirmam os procuradores.
"Nesse cenário, a abertura de nova conta bancária, mais uma vez no exterior, por pessoa com relação familiar e empresarial com o principal investigado, requer o aprofundamento das investigações."
Vieira de Souza foi condenado pela juÃza Maria Isabel do Prado, da 5.ª Vara Federal de São Paulo, nesta quinta-feira, 28, a 27 anos de prisão na Lava Jato/SP - sete anos e oito dias em regime fechado e 20 anos de detenção em regime semiaberto e aberto. O ex-diretor da Dersa é acusado pelos crimes de cartel e fraude à licitação.
Fonte: Estadão Conteúdo