15/07/2019 12h30
Leo Índio, o caçador de comunistas
O assessor parlamentar Leonardo Rodrigues de Jesus, o Leo Ãndio, primo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, virou uma espécie de "espião voluntário" do governo. Nos primeiros quatro meses da gestão do tio, Léo Ãndio elaborou dossiês informais de "infiltrados e comunistas" nas estruturas federais nos Estados.
Os relatórios começaram a ser feitos de maneira unilateral, sem nenhum pedido oficial do Palácio do Planalto ou da famÃlia Bolsonaro, quase sempre de maneira amadora. Leo Ãndio cruza dados abertos da estrutura federal nos Estados com notÃcias de jornais e de colunas, para tentar identificar a quem o servidor comissionado está ligado.
O primo dos Bolsonaro já viajou a pelo menos três Estados - Maranhão, Bahia e Minas - nos primeiros meses do ano catalogando "alvos incompatÃveis" com a administração federal. Coincidentemente, três Estados que estão ou estiveram sob domÃnio de "comunistas" do PT e do PCdoB.
Durante as viagens, Leo dedicou parte do seu tempo a reuniões polÃticas com militantes do PSL e apoiadores do presidente. Foi depois de um encontro desses que surgiu o nome da ex-deputada estadual Maura Jorge (PSL), no Maranhão, que passou a comandar a Superintendência da Funasa no Estado, órgão historicamente ligado à famÃlia Sarney. Pelas redes sociais, Maura Jorge agradeceu.
"Dias atrás, informei a vocês sobre o convite que o presidente Jair Bolsonaro me fez para compor seu governo. Hoje, fico honrada em anunciar que decidi aceitar essa missão, assumindo o comando da Funasa no Maranhão, pois tenho a certeza de que, desse modo, vamos poder fazer ainda mais pelo progresso do nosso Estado e do povo maranhense. Meus agradecimentos ao presidente da Funasa, Ronaldo Nogueira, Léo Ãndio, sobrinho do presidente Jair Bolsonaro; à dra. Edna e ao LuÃs Vannuci pelo carinho e confiança", escreveu Maura.
Léo Ãndio ganhou notoriedade por possuir carta branca para entrar no Palácio do Planalto. Nos primeiros 45 dias de Bolsonaro, esteve 58 vezes no Planalto. Com 35 anos, foi estudante de Administração e ocupa o cargo de assessor parlamentar do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-lÃder do governo, com o salário de R$ 22.943,73. Questionado sobre sua atuação no governo, limitou-se a dizer que está "focado nas missões que o senador (Chico Rodrigues) designou". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo