15/04/2021 14h40
Lula diz que PT não precisa ser 'cabeça de chapa', mas faltam bons candidatos
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta quinta-feira, 15, que o partido pode abrir mão de ser cabeça de chapa nas próximas eleições presidenciais, desde que se apresente uma candidatura com "mais fôlego que o PT". O ex-presidente defendeu que haja uma aliança polÃtica, mas disse que ninguém pode vetar ninguém. "Quem tem que ter cabeça de chapa é quem tem maior possibilidade de ganhar as eleições", afirmou.
Em entrevista à rádio O Povo CBN, Lula evitou colocar-se como candidato, mas afirmou estar à disposição para "brigar e tentar consertar o Brasil". O petista também negou que seu discurso de "nós e eles" tenha sido responsável pelo inÃcio da radicalização nas disputas polÃticas do PaÃs. O argumento usado por Lula foi o de que após ser derrotado em três eleições (1989, 1994 e 1998) não houve radicalismo.
"Em nenhum momento em que eu perdi as eleições houve radicalidade. Onde é que houve radicalidade? Quando Aécio (Neves) perdeu. Quem radicalizou foram aqueles que se passavam por cordeiros. Aà radicalizaram, tentaram impedir a posse da Dilma. Entraram com recurso. Você viu alguma vez eu entrar com recurso contra o Collor de Mello, contra o Fernando Henrique Cardoso? Nunca. Eu perdia as eleições e fazia como o velho Brizola. Aliás, o Ciro poderia aprender com essa frase do Brizola. Cada vez que o Brizola perdia ele dizia: 'Eu vou me recolher e lamber as minhas feridas'", disse.
Momentos antes, Lula disse ter carinho e respeito pelo ex-governador Ciro Gomes (PDT-CE). Porém, na avaliação de Lula, o pedetista está fazendo uma inflexão polÃtica equivocada nas crÃticas à esquerda.
Sobre a constante cobrança de que o PT faça sua autocrÃtica, Lula afirmou que "não pode ser sua própria oposição". "Se eu ficar fazendo a autocrÃtica que as pessoas querem que eu faça, não haverá tempo para que a oposição possa me criticar. Eu não posso querer ser a minha própria oposição", afirmou o petista.
O ex-presidente repetiu o que tem dito desde sua primeira fala após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anular as condenações impostas ao petista no âmbito da Lava Jato. Nesse sentido, disse que não quer discutir eleições em 2021, mas quer falar sobre vacinas para o povo brasileiro e ajuda emergencial para os milhões de brasileiros que estão passando fome. "Quem quiser resolver o problema do Brasil tem de colocar o pobre dentro do Orçamento", afirmou.
Lula também reiterou a necessidade de se discutir polÃtica de crédito especial para os pequenos e médios empresários. Segundo ele, o Tesouro Nacional dispõe de recursos disponÃveis para que o presidente Jair Bolsonaro amplie o valor da segunda rodada do auxÃlio emergencial para R$ 600 e para criar "uma polÃtica de crédito para o pequeno empresário".
Fonte: Estadão Conteúdo