28/08/2018 16h30
Lula seria o melhor condutor da saída da crise, diz Haddad
O candidato a vice-presidente pelo PT, Fernando Haddad, defendeu nesta terça-feira, 28, a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que é "difÃcil" considerar Jair Bolsonaro, candidato pelo PSL, um "concorrente sério".
"Nossa convicção é de que o Lula seria o melhor condutor da saÃda da crise. Tem respaldo de quase 50% dos eleitores que pretendem votar", afirmou Haddad, após participar de atos de campanha no Rio.
Segundo Haddad, o apoio a Lula nas intenções de voto tem sido uma demonstração de que o PT poderia "derrotar o golpe moralmente". Por isso, "vários analistas já registraram que o Lula já ganhou as eleições".
"Resta agora o PaÃs ganhar as eleições. Para o PaÃs ganhar, o PaÃs tem que atender a recomendação da ONU", afirmou Haddad, se referindo à recomendação da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas para que Lula seja autorizado a concorrer nas eleições. O governo Michel Temer e o PT divergem quanto à obrigatoriedade da recomendação. "Não é qualquer coisa, é um tratado aprovado pelo Congresso Nacional", disse Haddad.
Questionado sobre até quanto o PT manteria Lula como candidato, apesar de todas as indicações de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que a candidatura será impugnada, Haddad afirmou que o partido aguardará. "Vamos aguardar a decisão do TSE e do STF", disse o candidato a vice.
Ao comentar a disputa eleitoral, Haddad demonstrou preocupação com a falta de propostas de Bolsonaro, lÃder nas pesquisas de intenção de voto nos cenários sem o ex-presidente Lula. Segundo o ex-prefeito de São Paulo, quando perguntado sobre "qualquer coisa", Bolsonaro "não sabe responder".
"Quando ele parar de ofender e fizer propostas, talvez eu vá ter uma interlocução com ele", afirmou Haddad. "É muito difÃcil considerar Bolsonaro um concorrente sério", completou.
Influenciadores digitais
Haddad afirmou ainda que, "até onde foi possÃvel" apurar, a Tesouraria do partido não usou seus recursos para pagar "influenciadores digitais" falarem bem de seus candidatos nas redes sociais.
A prática é proibida. Segundo resolução do TSE, "é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado de forma inequÃvoca como tal e contratado exclusivamente por partidos polÃticos, coligações e candidatos e seus representantes".
O caso envolvendo o PT foi denunciado pela influenciadora digital Paula Holanda, que afirmou em sua conta no Twitter ter sido procurada por uma representante da agência de marketing digital Lajoy. Segundo ela, a agência a convidou para participar de uma ação "de militância polÃtica para a esquerda". O governador do Piauà e candidato à reeleição Wellington Dias seria alvo da terceira ação, após as duas primeiras terem sido, segundo Paula, sobre a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-SC), e sobre o candidato do partido ao governo de São Paulo, Luiz Marinho.
"Apuramos ontem (segunda-feira) o que foi possÃvel. Checamos com as tesourarias do partido", afirmou Haddad. "Não foi usado recurso do PT para qualquer fim como esse. Salvo melhor juÃzo, a resposta é essa", completou o candidato a vice.
Fonte: Estadão Conteúdo