29/11/2017 22h50
Marisa Monte e Arnaldo Antunes acusam Doria de uso ilegal de música
Os compositores Marisa Monte e Arnaldo Antunes repudiaram, em texto compartilhado em redes sociais nesta quarta-feira, 29, o uso não autorizado da música "Ainda bem", na voz de Marisa, pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). "Ainda bem" é ouvida num vÃdeo promocional compartilhado pelo prefeito em agosto para apresentar o resultado de obras da Prefeitura no Parque do Ibirapuera. Os autores da canção disseram que Doria se recusa desde então a apagar o vÃdeo de contas no Twitter e no YouTube.
A música serve de ambientação para o vÃdeo, que, afirmam Marisa e Arnaldo, foi feito para "promover as atividades do prefeito, suas parcerias institucionais e comerciais, inclusive citando nominalmente uma marca de artigos esportivos". Eles dizem que notificaram Doria quando tomaram conhecimento do vÃdeo, e que receberam uma resposta - negativa - só dois meses depois.
"Nós nos sentimos ultrajados e lesados em nosso direito patrimonial e moral, uma vez que, além de não termos sido sequer consultados, nunca permitimos o uso de nenhuma de nossas canções para fins polÃticos. Queremos deixar claro que a nossa motivação jamais foi financeira, e sim educativa. Enquanto autores e artistas, esperamos respeito à Lei de Direitos Autorais", afirmam os compositores no texto.
"Redigimos este comunicado para esclarecer ao nosso público que não concordamos com essa postura desrespeitosa e também para reafirmar a importância do cumprimento da legislação de direito autoral, principalmente por aqueles que, como autoridades e gestores públicos, independentemente do seu viés polÃtico, deveriam ser os primeiros a dar exemplo na sua aplicação."
Marisa e Arnaldo afirmam ainda que Doria argumentou que a música foi capturada de "forma espontânea" no ambiente das gravações. A dupla sugeriu então que os direitos autorais fossem pagos em favor da Sociedade Viva Cazuza, que atende crianças com Aids no Rio, mas não foram atendidos.
O Facebook e o Instagram atenderam à solicitação dos compositores de remover o conteúdo, mas o vÃdeo ainda pode ser assistido no Twitter e no Youtube.
A reportagem aguarda um posicionamento da prefeitura sobre o assunto.
Fonte: Estadão Conteúdo