12/08/2020 10h10
Mendonça diz que também monitorou grupo bolsonarista
Além de 579 servidores públicos "antifascistas", a Secretaria de Operações Integradas (Seopi), do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, monitorou o grupo extremista "300 do Brasil", formado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.
Um relatório de inteligência foi produzido sobre os integrantes que acamparam na Esplanada dos Ministérios e ameaçaram bombardear o Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi revelada a parlamentares pelo próprio ministro da Justiça, André Mendonça, em reunião sigilosa na sexta-feira passada, como uma tentativa de dar um tom de normalidade ao dossiê produzido contra opositores ao governo.
Mas, diferentemente dos servidores públicos monitorados pela pasta, o grupo bolsonarista já era alvo de investigações do Ministério Público do Distrito Federal e da Procuradoria-Geral da República após ameaças feitas durante manifestações em BrasÃlia. A lÃder, Sara Fernanda Giromini, que adotou a alcunha de "Sara Winter", foi presa por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em junho.
Na reunião com parlamentares, Mendonça também citou outros relatórios de inteligência produzidos pelo Ministério da Justiça em governos anteriores, como na época da Copa do Mundo de 2014, da OlimpÃada de 2016 e do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo o ministro, o monitoramento de grupos que representem alguma ameaça à segurança pública é atividade rotineira.
Em conversas reservadas, o ministro tem mencionado um episódio especÃfico de depredação em Curitiba, atribuÃdo a manifestantes antifascistas, para justificar que há, sim, motivos para monitorar integrantes ligados a estes grupos.
Apesar dos argumentos, Mendonça abriu uma sindicância para apurar se houve irregularidades no trabalho feito pela Seopi. Em seu primeiro ato após o inÃcio da investigação interna, demitiu o chefe da Diretoria de Inteligência, o coronel Gilson Libório de Oliveira Mendes.
Segundo Mendonça, foi uma "medida de integridade", para garantir a imparcialidade da sindicância. "Eu procuro preservar, em primeiro lugar, as instituições", disse o ministro ao Estadão. "A saÃda do Libório demonstra o compromisso com o bom funcionamento das atividades, de que sejam exercidas dentro dos princÃpios éticos e normativos, sem margens para desconfianças", afirmou.
Diferença
Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, há uma clara diferença entre monitorar o "300 do Brasil" e servidores públicos "antifascistas". "Os policiais antifascismo fizeram um manifesto público em defesa da democracia, enquanto o 300 é um grupo que tinha treinamento militar, armas no acampamento e propostas de atacar o STF. É uma falsa equivalência para mostrar que não persegue-se grupo A, B ou C. Mas tem erro técnico aÃ, porque à Seopi não cabe produzir relatório em nenhum dos casos. As polÃcias deveriam fazer isso e, caso fossem encontrados elementos, enviar para a Seopi, para que a pasta encaminhasse aos outros Estados, dentro do seu papel de integração."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo