06/12/2021 11h50
Moro diz acreditar na liderança do seu projeto eleitoral
O ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) afirmou que tem conversado com partidos como União Brasil, Novo, Cidadania e PSDB na tentativa de montar um palanque para a eleição de 2022. Em entrevista publicada no jornal Correio Braziliense neste domingo, 5, Moro disse procurar uma sigla com "visão liberal de economia sem prejuÃzo de polÃticas sociais".
Sobre a possibilidade de assumir um cargo de vice-presidente, Moro afirmou ter clareza que quer liderar a disputa, mas que ainda não há nada decidido. "Acredito na liderança do nosso projeto. Assim como acredito que poderia abrir mão, espero que outros tenham o mesmo entendimento, porque nós precisamos somar", concluiu.
Ele rejeita o uso do termo "terceira via", por acreditar que a disputa não deve se sustentar no favoritismo do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Terceira via parte do pressuposto que temos dois candidatos inevitáveis e que seriam favoritos, que é o atual presidente e um presidente anterior. Eu, sinceramente, não acredito nisso. Não acho que o Brasil vai ser forçado a ter escolhas tão trágicas assim", disse, antecipando crÃticas que fez durante lançamento do livro "contra o Sistema de Corrupção", neste domingo em Recife.
Na entrevista, o ex-juiz voltou a pautar sua fala no combate à corrupção e à pobreza. Ele afirmou ser favorável a programas de transferência de renda, que, acredita, precisam ser mantidos. Moro também reforçou a sugestão de criar uma agência reguladora com foco na erradicação da pobreza.
"Trazer para essa agência a elite do funcionalismo público brasileiro, para a gente ter polÃticas transversais, educação, saúde e, eventualmente, o que mais for necessário para remediar essas situações especÃficas. E atuar no PaÃs inteiro", disse na entrevista. Na opinião do ex-ministro, a agência seria uma polÃtica de Estado, e não dependeria da atuação de cada governo.
Após criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) na decisão que tornou suspeito seus julgamentos no comando da Lava Jato, Moro voltou a defender a criação de uma corte com atuação exclusiva no combate à corrupção. "A ideia não é criar um tribunal com mais juÃzes e mais servidores, impactando o orçamento público. A ideia é utilizar as estruturas já existentes", afirmou.
Turnê
Em turnê no Recife para o lançamento do livro "Contra o Sistema da Corrupção", Sérgio Moro lotou o auditório do Teatro Rio Mar, localizado dentro do Shopping Rio Mar, na zona sul da Cidade. A obra narra a passagem do ex-juiz pelo governo Jair Bolsonaro. Apesar de ter se colocado à disposição do partido para a disputa, o ex-ministro do governo Bolsonaro não chegou a dar detalhes sobre sua agenda de pré-campanha ou possÃveis alianças eleitorais.
Ainda assim, Moro adotou o discurso de presidenciável e voltou a alfinetar o presidente Bolsonaro e o ex-presidente Lula, sendo sarcástico em alguns momentos. "É um governo muito virtuoso", ironizou Moro quando foi questionado sobre as ações da PolÃcia Federal durante o governo Bolsonaro e as afirmações do presidente de que acabou a corrupção na sua gestão.
"Eu estava nos Estados Unidos, não tranquilo, porque via a situação no Brasil se deteriorando, desde que saà vi muitas coisas tristes: primeiro a pandemia, mais de 600 mil vÃtimas", citou. "Todo mundo conhece alguém que perdeu alguém, perdi amigos, pouco, mas um parente nessa história triste. Isso, aliado à s medidas de distanciamento social que parecem deixar a gente trancado em casa trazia um sofrimento interior bastante grande", concluiu.
Poucos minutos antes do evento, manifestantes protestaram em frente ao teatro. Carregando a faixa "Moro Suspeito prendeu Lula sem provas", após empunhar palavras de ordem e chamar a atenção do público, os protestantes foram embora sem animosidade.
Após Recife, o ex-juiz também realizará a turnê de lançamento em São Paulo, no dia 7 deste mês, e no Rio de Janeiro, no dia 9.
Fonte: Estadão Conteúdo