22/05/2017 19h20
Moro homologa acordo de leniência da Odebrecht
O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba, homologou nesta segunda-feira, 22, o acordo de leniência da Odebrecht, fechado com a força-tarefa da Operação Lava Jato.
O acordo de leniência (espécie de delação premiada para empresas) da Odebrecht obriga o grupo a entregar à força-tarefa da Operação Lava Jato o total de doações oficiais e de pagamentos de propinas e caixa-2 nas eleições dos últimos 16 anos - perÃodo que abrange as últimas quatro disputas presidenciais e de governadores, e as últimas cinco eleições municipais. É o que estabelece o inciso XIV, da cláusula 6.ª, que estipula as obrigações da colaboradora no acordo fechado com o Ministério Público Federal.
O acordo de leniência prevê que a Odebrecht pague R$ 3,28 bilhões pelos danos materiais e imateriais causados por crimes praticados em contratos públicos, dos governos federal, estaduais e municipais.
Segundo a cláusula 7.ª, o valor global a ser pago será dividido entre Brasil, Estados Unidos e SuÃça, paÃses que integram o acordo de leniência, numa proporção de 80%, 10% e 10% para cada, respectivamente. O valor a ser pago pela Braskem, braço petroquÃmico do grupo, em sociedade com a Petrobras, não está incluÃdo nesse acordo.
O montante será quitado ao longo de 22 anos e com valores corrigidos pela taxa Selic. "A somatória das parcelas do Valor Global, após a aplicação de estimativa de projeção de variação da Selic, resulta no valor estimado de R$ 8.512 bilhões, o qual, se convertido à taxa de câmbio de USD 1,00 = R$ 3,27, corresponde a aproximadamente USD 2.6 bilhões", prevê o acordo.
Do valor pago no Brasil, 97,5% são para "fins de ressarcimento dos danos materiais e imateriais causados pelos fatos e condutas ilÃcitas" objeto do acordo aos órgãos de governo brasileiros. E 2,5% pelo prejuÃzo relacionado à prática de crimes de lavagem de dinheiro.
O documento, com 26 páginas, foi assinado no dia 1º de dezembro. O acordo de leniência é assinado por 26 procuradores da República, de Curitiba e de BrasÃlia. O termo já tinha sido homologado pela 5.ª Câmara de Coordenação e Revisão, órgão do Ministério Público competente para analisar o ajuste.
A Lava Jato aponta desvio de mais de R$ 40 bilhões na Petrobras, entre 2004 e 2014, por empreiteiras que agiram cartelizadas e em conluio com polÃticos - em especial do PT, PMDB e PP - e agentes públicos. Além de enriquecimento ilÃcito, o esquema teria patrocinado ilegalmente partidos e campanhas eleitorais - não só da base dos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006 e 2007-2010) e Dilma Rousseff (2011-2014 e 2015-2016), mas da oposição, como o PSDB.
Diferente do acordo de colaboração premiada, que é feito por pessoas fÃsicas envolvidas em crimes, a leniência envolve a empresa e funcionários e pessoas ligadas a elas, que são consideradas figuras sem mando ou participação ativa no esquema.
O acordo de delação da Odebrecht envolve 77 executivos e ex-executivos que confessaram crimes e respondem a processos penais. Na esfera cÃvel, a abrangência da pena é monetária e administrativa.
Entre os benefÃcios do acordo de leniência, uma das finalidades é "preservar a própria existência da empresa e a continuidade de suas atividades". "Apesar dos ilÃcitos confessados, encontra justificativa em obter os valores necessários à reparação dos ilÃcitos perpetrados."
Uma das finalidades do acordo é "assegurar a adequação e efetividade das práticas de integridade da empresa, prevenindo a ocorrência de ilÃcitos e privilegiando em grau máximo a ética e transparência na condução de seus negócios".
Obrigações
No acordo de leniência, que tem como finalidade instruir investigações de improbidade administrativa, em especial relativas a crimes contra a administração pública e o sistema financeiro, crimes de lavagem de dinheiro e crimes fiscais, a Odebrecht assume 22 obrigações com o Ministério Público, para obter os benefÃcios de colaboradora.
Com o maior volume de contratos na Petrobras - são R$ 35 bilhões em negócios fechados em dez anos sob análise, sem contar Braskem, braço petroquÃmico da empreiteira -, a Odebrecht confessou fraudes em contratos, pagamentos de propinas, lavagem de dinheiro.
Pelos termos do pacto, o grupo declara que "cessou seus envolvimento nos fatos ilÃcitos descritos" e que qualquer informação falta ou descumprimento de suas cláusulas resulta no rompimento do termo.
O presidente afastado do grupo, Marcelo Bahia Odebrecht, está preso desde 19 de junho de 2015, em Curitiba, e deve ser solto no final do ano, graças a seu acordo de delação premiada.
Fonte: Estadão Conteúdo