27/05/2020 07h40
MP vê 'vínculo suspeito' e escritório da primeira-dama do Rio é alvo de buscas
A advogada Helena Witzel, primeira-dama do Rio de Janeiro foi alvo de buscas e apreensões nesta terça-feira, junto do marido, o governador Wilson Witzel (PSC), durante a operação Placebo, que investiga supostos desvios de recursos públicos para hospitais de campanha durante a pandemia do novo coronavÃrus. O Ministério Público Federal enxergou "vÃnculo bastante estreito e suspeito" entre o escritório de advocacia da primeira-dama e a empresa DPAD Serviços Diagnósticos Limitada, de Alessandro de Araújo Duarte - apontado na investigação como suposto operador do empresário Mário Peixoto, preso na Operação Favorito, deflagrada no dia 14 de maio.
Firmado em 2019, o contrato resultou em pagamentos mensais à banca de Helena. Segundo a decisão do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou as buscas e apreensões, a investigação até agora não encontrou comprovação de que os serviços referentes à s entradas de dinheiro foram efetivamente prestados. "O escritório de advocacia da primeira-dama do Estado do Rio de Janeiro H.A.B.W. (Helena Alves Brandão Witzel) supostamente realizou contratos com empresas investigadas, sem que a investigação, até o momento, encontra-se provas da prestação do respectivo serviço, o que explicita possÃvel exercÃcio profissional de atividade delitiva", escreveu o ministro.
Assim como o governador, Wilson Witzel, Helena teve equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação, que também vasculhou seu escritório. Por ser advogada, o ministro destacou que a documentação apreendida deve ser "exclusivamente correlata aos fatos aqui investigados'.
Defesa
Em nota, Helena Witzel afirmou ter prestado os serviços de advocacia, disse que a diligência não encontrou nada que pudesse comprovar irregularidades, e classificou a operação como "imbuÃda de indisfarçada motivação polÃtica".
"A HW Assessoria JurÃdica prestou serviços para a empresa apontada pelo MPF, tendo recebido honorários, emitido nota fiscal e declarado regularmente os valores na declaração de imposto de renda do escritório", diz o texto. "A advogada Helena Witzel reitera seu respeito à s instituições, mas lamenta que a operação tenha sido imbuÃda de indisfarçada motivação polÃtica, sendo sintomático, a esse respeito, que a ação foi antecipada na véspera por deputada federal aliada do presidente Jair Bolsonaro", conclui a nota, referindo-se à deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).
Na segunda-feira, Zambelli disse em entrevista a uma emissora de rádio que "já tem alguns governadores sendo investigados pela PolÃcia Federal" e antecipou que haveria operações da PolÃcia Federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo