20/08/2020 15h10
MPF quer apurar fake news sobre vacina do exército que 'extermina' xavantes
O Ministério Público Federal (MPF) deu inÃcio, na última terça-feira, 18, a uma investigação para apurar a disseminação de boatos entre indÃgenas da etnia xavante, em Mato Grosso, sobre a aplicação de vacinas pelo Exército brasileiro.
Segundo a Procuradoria, aldeias da região têm se recusado a dar seguimento a discussões com a Secretaria Especial de Saúde IndÃgena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde, em razão da informação falsa de que os militares aplicariam imunizantes para exterminar os indÃgenas.
O inquérito será conduzido pelo procurador da República Everton Pereira Aguiar Araújo, titular do 1° OfÃcio em Barra do Garças, que fica a 516 quilômetros de Cuiabá, capital do estado.
De acordo com as apurações preliminares reunidas pelo MPF, pelo menos três comunidades indÃgenas, a aldeia Namunkurá e as terras Maraiwatsédé e Sangradouro, voltaram atrás em combinações anteriores e impediram a realização de ações de saúde em seus territórios. No caso da última, o secretário especial de saúde indÃgena, Robson Santos da Silva, e o presidente do Conselho Distrital de Saúde IndÃgena Xavante (Condisi), Clenivaldo Xavier, foram ao local e a ação terminou sendo realizada.
"Além do ocorrido nas terras indÃgenas, chegou ao conhecimento do MPF de que estaria circulando em mÃdias sociais dos indÃgenas Xavantes a informação de que a missão de saúde a ser realizada culminaria no extermÃnio dos Xavantes por meio da aplicação de vacinas", informou o Ministério Público Federal em nota.
Os militares e agentes de saúde também informaram que haviam placas proibindo a vacinação nas entradas das terras indÃgenas xavantes.
CoronavÃrus nas aldeias. O último boletim epidemiológico da Sesai, atualizado na quarta-feira, 19, aponta que já são mais de 20 mil Ãndios infectados e 346 mortos em decorrência da covid-19.
O Mato Grosso é o segundo estado com mais vÃtimas fatais nas aldeias: foram 107, segundo dados reunidos pela Articulação de Povos IndÃgenas do Brasil (Apib).
"A propagação das inverdades ("fake news") de que os indÃgenas seriam mortos pelo exército por meio da aplicação de vacinas tem o condão de gerar nas comunidades indÃgenas postura antivacina em relação ao covid-19 e até em relação a outras vacinas colocando os Xavantes em uma situação de extremo risco e vulnerabilidade", argumenta o MPF.
Fonte: Estadão Conteúdo