12/10/2018 15h32
'Negar os fatos, esse é o método do PT', diz Janaína de 2 milhões de votos
A recém-eleita deputada estadual de São Paulo JanaÃna Paschoal (PSL), que conquistou mais de 2 milhões de votos no pleito de domingo, 7, usou o Twitter para se defender, nesta sexta-feira, 12, de queixa crime movida pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, envolvendo declarações a respeito do atentado contra o candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro. A advogada, protagonista do impeachment de Dilma, em 2016, é acusada de atribuir crimes ao PT em ação movida pela legenda. A petição foi rejeitada pela Justiça paulista no dia 11 de setembro. O partido recorreu.
"O PT está me processando por eu ter dito que o atentado a Jair Bolsonaro não foi um ato isolado. Ao fazer essa ponderação, eu não mencionei o nome do PT. Na ação, o PT nega viés ideológico por parte do agressor. Negar os fatos esse é o método do PT", afirmou JanaÃna, em seu Twiter.
Bolsonaro foi golpeado com uma faca por Adelio Bispo, na tarde de 6 de setembro quando fazia campanha em Juiz de Fora (MG). O candidato passou por duas cirurgias.
JanaÃna foi eleita deputada estadual no domingo, 7. Ela chega à Assembleia de São Paulo escorada na maior votação já vista no PaÃs para o Legislativo nos Estados - 2.060.786 eleitores deram a ela marca jamais alcançada em toda a história.
Em entrevista, JanaÃna afirmou que o crime contra Bolsonaro foi cometido por pessoas "do lado de lá", e que não foi "um ato isolado". "Não foi. Essa pessoa é completamente vinculada. A imprensa não está mostrando ele com camiseta Lula Livre nas redes sociais. Ele faz parte de um grupo, entendeu? Ele faz parte", destacou, em referência a Adelio, atualmente preso na Penitenciária de Campo Grande, de segurança máxima.
Segundo os advogados, "tendo em vista que a querelada (JanaÃna) atribui a autoria do crime previsto no artigo 20, parágrafo único, da Lei de Segurança Nacional, ao PT, o que é sabidamente inverÃdico, ante todas as manifestações das autoridades policiais sobre a questão, é patente o cometimento do crime de calúnia e difamação".
No entanto, a juÃza da 1.ª Vara Criminal, Maria Fernanda Belli, entendeu que "as expressões utilizadas pela querelada, cujo animus narrandi/criticandi resta evidente, não tem o alcance de transmudar a conduta em tÃpica e antijurÃdica".
"Daà se impor, no equacionamento de litÃgios, um juÃzo de ponderação dos valores envolvidos, ambos a princÃpio tutelados em situação de igualdade hierárquica. Neste passo, a ponderação dos valores em questão definitivamente pende em favor do querelado, haja vista a preponderância do inegável interesse público subjacente à matéria veiculada a legitimar o sacrifÃcio do direito de imagem do autor, cujos integrantes têm ampla atuação no meio polÃtico, e, portanto, suscetÃvel à prestação de contas de sua atuação", anotou a magistrada, ao rejeitar a ação, no dia 11 de setembro
"Eu não acusei, nem estou acusando ninguém. Mas é importante que fique claro que a grande vÃtima de crime de ódio polÃtico-ideológico, nesta eleição, foi Bolsonaro!", afirmou JanaÃna em sua conta no Twitter, nesta sexta, 12.
JanaÃna afirma que "acusam de discurso de ódio quem foi vÃtima de crime de ódio orientado pela ideologia deles". "Inverter os papéis, técnica tÃpica dos totalitarismos... Leiam Hannah Arendt", diz, sugerindo a filósofa alemã.
"Tenho recebido muitas mensagens, alardeando que a democracia corre riscos. Se o PT voltar ao poder, depois de tudo que ficou comprovado, corre risco sim...", argumenta.
"Se eles fizeram tudo que fizeram quando precisavam disfarçar, o que não farão agora, que ninguém está comprando embrulhado? Pensem nisso!", questiona.
Fonte: Estadão Conteúdo