11/01/2018 13h40
No exterior, Lava Jato está longe do fim
Enquanto a PolÃcia Federal no Brasil estima encerrar os inquéritos da Operação Lava Jato em 2018, as investigações no exterior estão longe de um fim. Na SuÃça, Andorra, Espanha e em diversos paÃses latino-americanos, autoridades consultadas pelo jornal O Estado de S. Paulo afirmam que o processo está "longe do fim".
Apenas na SuÃça, cerca de 800 contas com mais de R$ 2,2 bilhões continuam bloqueadas, depois que a Procuradoria em Berna, capital do paÃs, lançou a operação em conjunto com o Brasil em 2017. Por enquanto, "apenas" R$ 660 milhões voltaram aos cofres brasileiros.
Falando na condição de anonimato, um ex-procurador que atuou por anos nas investigações na SuÃça confirmou que, até meados do ano passado, dezenas de contas ainda estavam pendentes de avaliação. A falta de um número suficiente de pessoas dedicadas exclusivamente ao caso também teria contribuÃdo para retardar as investigações.
No paÃs helvético, de acordo com o Ministério Público, 60 inquéritos foram abertos. Muitos deles estão ainda em fase de instrução. Em 2017, os procuradores lançaram a terceira fase de investigações, concentrada principalmente em apurar o papel dos bancos suÃços e seus gerentes na facilitação da corrupção. Nos últimos meses, investigadores suÃços têm realizado viagens ao Brasil para questionar alguns réus.
Entre os banqueiros que ainda operam com clientes brasileiros, o clima é de tensão. Eles têm medo de serem presos no Brasil e, por este motivo, contrataram advogados para assessorá-los em viagens ao PaÃs. A Interpol, por exemplo, já foi acionada em um episódio com um ex-gerente de contas. A cautela faz com que esses banqueiros retirem o nome do banco para o qual trabalham de seus cartões de visita.
Latinos
Nem todo o dinheiro ainda bloqueado na SuÃça, porém, se refere a brasileiros. Em novembro de 2017, no Panamá, investigadores e procuradores de oito paÃses latino-americanos, SuÃça e Portugal se reuniram pela primeira vez para tentar avaliar de que forma poderiam cooperar para fazer avançar os inquéritos relacionados com a Lava Jato, principalmente no que se refere ao papel da Odebrecht.
O caso chacoalhou a polÃtica regional, com pedidos de impeachment, afastamento de polÃticos de alto escalão e a prisão de ex-dirigentes de diferentes paÃses.
O encontro no Panamá não contou com a participação do Brasil. Mas a constatação dos participantes foi clara: o processo ainda levará meses ou anos para poder ser concluÃdo.
Numa declaração conjunta obtida pela reportagem, as autoridades dos dez paÃses indicaram que precisam de tempo. "Nos delitos de corrupção de funcionários públicos e de lavagem de dinheiro, dada a multiplicidade de fatos que se investigam, sua prolongação no tempo, quantidade de pessoas envolvidas, o uso de sistemas financeiros, existência de provas no exterior, assim como a necessidade de traduzir documentos, se exige prazos razoáveis para desenvolver a investigação", declararam, há dois meses.
Carlos Mancheno, procurador-geral do Equador, foi um dos que alertaram sobre a necessidade de tempo. "A trama de corrupção da Odebrecht está apenas começando na América Latina", disse, durante o encontro. "Vamos chegar ao final. Mas precisamos do tempo necessário", afirmou Nestor Martinez, procurador-geral da Colômbia.
Kenia Porcell, procuradora-geral do Panamá, também deixou claro que o processo será longo. "É impossÃvel que uma investigação da magnitude da Odebrecht seja instruÃda nos prazos comuns", avaliou. No caso do paÃs centro-americano, o dossiê relativo à construtora brasileira tem mais de 150 mil páginas.
Fonte: Estadão Conteúdo