06/04/2018 17h50
Não sou puxadinho do PT e não serei jamais, diz Ciro Gomes
O pré-candidato do PDT à presidência da República, Ciro Gomes, rebateu crÃticas de não ter participado de um ato polÃtico em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira no Rio de Janeiro. "Não sou puxadinho do PT e não serei jamais. Nos últimos 16 anos eu apoiei o Lula sem faltar um dia. Eles que façam dessa história o que eles quiserem fazer", disse.
Perguntado por jornalistas se poderia ser o candidato apoiado pelo PT nas eleições presidenciais deste ano, Ciro avaliou que não é provável, porque a natureza do Partido dos Trabalhadores é de ter sempre um representante da legenda para o pleito.
Para Ciro, é preciso resgatar a serenidade na polÃtica e o diálogo a fim de acabar com a polarização nacional nesta área. "As instituições brasileiras já estão em frangalhos. Há um quadro generalizado de anarquia no PaÃs, que se caracteriza por votações exóticas do Judiciário, por opiniões absolutamente ilegais e arbitrárias de comandantes das Forças Armadas e a desobediência de parte dos polÃticos da lei e das regras", apontou. Ele defendeu sua candidatura a presidente da República e apontou que é preciso "desratizar" o PaÃs, numa referência ao fim da impunidade de atos de corrupção no setor público.
Ciro criticou os comentários do comandante do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que na terça-feira fez um comentário de "repúdio à impunidade" antes da votação do STF sobre habeas corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Imagino que o general comandante do exército quis expressar por sua própria boca, o que é impertinente, a tentativa que a cadeia de comando permaneça Ãntegra sob sua liderança, ele falando subordina todos os outros pelo seu comando", disse. "É ruim que uma República a essa altura como a nossa ainda tenha que ouvir pito público de militar. Isso é coisa que ficou para republica de banana nos anos 1960."
Injustiça polÃtica
Na avaliação de Ciro Gomes, os cidadãos no Brasil, em geral, não se consideram protegidos pela Justiça. "Há um notório desequilÃbrio entre aquilo que amargamente se imputa ao Lula nos prazos tão ágeis quanto se estão impondo, e aquilo que se faz à corrupção notória de certos figurões do PSDB. O PaÃs inteiro sente e eu sinto a mesma coisa."
Ele afirmou que os brasileiros devem acompanhar o debate polÃtico no PaÃs e expressar suas opiniões de forma pacÃfica pelas redes sociais. "Vá à s manifestações que forem corretas de ir, mas não se precipite porque o mundo polÃtico não merece que ninguém morra por si", destacou. "O mundo polÃtico é assim mesmo. É feito de contradições e no fundo a gente acaba achando uma saÃda", ressaltou.
Ciro Gomes avaliou com ironia a participação do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa nas eleições presidenciais deste ano. "Quando a gente começa a ver juiz dando entrevista demais, se exibindo de mais, a gente já sabe que o que ele quer é entrar para a polÃtica. Isso é uma impertinência, mas seja bem-vindo."
O pré-candidato à presidência do PDT apontou que a insistência do PT em manter a candidatura ao Palácio do Planalto de Lula pode trazer incertezas polÃticas ao PaÃs. "Gera uma instabilidade grave na sociedade brasileira, e, portanto, também em um dos seus aspectos que é a vida econômica." Ele fez os comentários depois de participar da Brazil Conference 2018 realizada em Harvard e MIIT.
Fonte: Estadão Conteúdo