14/03/2021 08h00
O centro precisa criar a vacina contra o populismo
O cientista polÃtico Luis Felipe dÃvila considera que uma eventual união entre candidatos centristas deve ser feita com base em três diretrizes: o combate à corrupção e aos privilégios, a preocupação com os mais pobres e a promoção do serviço público de qualidade para garantir acesso à Educação e à Saúde aos mais necessitados. "O centro precisa criar a vacina contra o populismo", disse.
Segundo dÃvila, o presidente Jair Bolsonaro foi eleito por quatro grupos e já foi abandonado por três deles: os antipetistas, os liberais e os lavajatistas. Mantém o apoio dos fidelÃssimos, do "bolsonarismo duro". Mas, avalia, hoje a maioria dos brasileiros deseja um governo totalmente diferente do atual, e um candidato em um partido médio, como Cidadania e o Podemos, teria mais chance de atrair outras siglas sem prejudicar os acertos regionais.
Para ele, o antibolsonarismo deve ter papel central na eleição em 2022. "Os votos que Lula e que Bolsonaro tiveram são votos do passado. Bolsonaro carregará o peso da crise sanitária, Lula o da corrupção e Moro o da resistência ao seu nome na esquerda. O centro é que pode construir pontes. Se o centro chegar ao segundo turno, ele ganhará a eleição."
Substituição. O cientista polÃtico José Alvaro Moisés concorda que o antibolsonarismo deve ocupar o papel do antipetismo nessa eleição em razão do "desastre da polÃtica sanitária" do governo. "É possÃvel que o eleitor antipetista abandone Bolsonaro e procure alguém mais competitivo contra Lula em 2022." Para que haja uma terceira força capaz de capturar parte do antibolsonarismo e o voto de esquerda crÃtico ao PT, diz Moisés, seria necessário que o centro democrático não aparecesse dividido na próxima eleição.
O cientista polÃtico acredita ser necessário que o centro apresente um programa viável de retomada econômica com a criação de empregos e a defesa da democracia, combatendo a desigualdade "abismal". "É preciso que o centro saiba dialogar com o sentimento de rejeição da polÃtica para que ele não desapareça. Nós precisamos de estadistas."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo