12/05/2021 18h50
Operação da PF contra senadora Rose de Freitas busca desvios na Cia. Docas do ES
A PolÃcia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 12, a Operação Corsários, para investigar suposta organização criminosa que atuava na Companhia Docas do EspÃrito Santo, entre 2015 e 2018, direcionando licitações e desviando recursos públicos de contratos fechados com prestadoras de serviços, um deles para locação de veÃculos. A senadora Rose de Freitas é um dos alvos dos mandados de busca cumpridos no âmbito da ofensiva.
Ao todo, a PF vasculha dez endereços de residências e empresas nos municÃpios de Vitória, Cariacica e Serra, no EspÃrito Santo, e em BrasÃlia, no Distrito Federal. Além disso, os agentes cumprem dois mandados de prisão temporária. Um terceiro investigado foi preso em flagrante pelo crime de porte ilegal de armas, indicou a PF.
As ordens foram expedidas pelo ministro Kassio Nunes Marques, Supremo Tribunal Federal, em razão dos indÃcios de envolvimento de Rose de Freitas, que tem foro por prerrogativa de função. O magistrado determinou ainda o sequestro de bens e valores dos investigados, diz a PolÃcia Federal.
Sobre o nome da operação, a PF explicou que corsário 'era alguém que, por missão ou carta de corso de um governo, era autorizado a pilhar navios de outra nação'. "De forma semelhante, as investigações mostraram que pessoas eram nomeadas por parlamentar com autoridade e influência, com a finalidade de desviar recursos públicos da área portuária, pilhando verbas do próprio governo ao qual pertenciam", registrou a corporação em nota.
De acordo com a PF, a ofensiva mira supostos crimes de concussão, corrupção passiva e ativa, organização criminosa, fraude a licitações e lavagem de capitais.
As investigações da 'Corsários' tiveram inÃcio após denúncia sobre exigência de propinas por servidores da Codesa em contrato de locação de veÃculos. A PolÃcia Federal indica que também há indÃcios de fraudes em contratos firmados com outras empresas entre 2015 e 2018.
As apurações contaram com a colaboração da atual gestão da Codesa. Auditoria realizada pela empresa estima que somente em dois dos contratos sob suspeita, a organização criminosa pode ter desviado cerca de R$ 9 milhões.
"As apurações revelaram a existência de uma verdadeira organização criminosa infiltrada na empresa pública, por meio da indicação de pessoas de confiança do grupo para postos chaves, permitindo dessa forma a interferência nos certames, o superfaturamento e desvio dos valores pagos nos contratos subsequentes", explicou a PF em nota.
Segundo os investigadores, o grupo sob suspeita teria utilizado um escritório de advocacia para receber os recursos desviados. A banca teria simulado a prestação de serviços advocatÃcios para lastrear a movimentação dos valores, diz a PF.
Ainda segundo a corporação, as investigações revelaram ainda que a lavagem do dinheiro também acontecia por meio da compra de imóveis de luxo e do pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.
COM A PALAVRA, A SENADORA ROSE DE FREITAS
"Fui surpreendida hoje, à s 9h, pelo mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Nunes Marques, do STF, no meu apartamento funcional onde resido, em BrasÃlia. Desconheço, até o momento, as razões do mandado e reafirmo não ter cometido qualquer ato ilÃcito ao longo dos oito mandatos exercidos na vida pública.
Fui igualmente surpreendida pelas prisões de meu irmão e de meu assessor, realizadas no estado do EspÃrito Santo. Confio no reestabelecimento da verdade e na apuração das possÃveis motivações que ensejaram tamanha agressão. Identifico claramente uma tentativa de desabonar minha honra e dignidade.
Não cederei a pressões de qualquer natureza, venham de onde vierem. Providências legais cabÃveis estão sendo tomadas para que os fatos sejam devidamente esclarecidos e apurados. Sempre exerci com coragem, ética e dedicado trabalho os mandatos que honradamente recebi do povo do EspÃrito Santo.
Todos os demais esclarecimentos serão prestados pelos nossos advogados, que se pronunciarão oportunamente."
Fonte: Estadão Conteúdo