20/10/2021 13h10
Para Lula, governo Bolsonaro pratica a 'mais horrenda' velha política
Com a aproximação do presidente Jair Bolsonaro ao Partido Progressistas, expoente do Centrão e que pode abrigá-lo para concorrer à reeleição em 2022, e a prática do chamado "orçamento secreto", revelado pelo Estadão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que Bolsonaro marca a negação de seu discurso eleitoral, quando se dizia alguém fora da velha polÃtica.
"Ele era um velho, falando mal da velha polÃtica e dizendo que iria construir a nova polÃtica", comentou o petista em entrevista à Rádio A Tarde, da Bahia, nesta quarta-feira (20). O orçamento secreto consiste na distribuição de verbas sem transparência para garantir apoio polÃtico ao governo Bolsonaro. A prática, revelada pelo Estadão em maio, se tornou possÃvel após a criação das emendas de relator, ou RP9, pelo Congresso, no fim de 2019. "Eles governo estão praticando a mais horrenda velha polÃtica com a maior desfaçatez", criticou o ex-presidente.
Apesar das considerações ao atual governo, Lula admitiu que vê com otimismo a nova proposta de benefÃcio social que prevê o pagamento de R$ 400 por mês aos beneficiários em 2022. Para ele, mesmo que a proposta tenha tom eleitoral, cabe à população avaliar o proveito que o chefe do Executivo quer tirar da iniciativa. "Tô vendo o Bolsonaro dizer agora que vai dar R$ 400 de auxÃlio. Tem gente dizendo que é auxÃlio eleitoral, que não podemos aceitar. Não penso assim. O PT defende um auxÃlio de R$ 600 desde o ano passado. O povo precisa. Ele tem que dar. Se vai tirar proveito disso, problema dele".
Na visão de Lula, seus governos provaram que "pobre não é problema", mas, sim, a "solução". "Quando ele pobre está participando do bolo do Orçamento, na receita construÃda pela sociedade, esse cidadão vira um consumidor, vira um cidadão de primeira classe, forma um degrau na escala social, pode participar do dinamismo da economia do PaÃs", defendeu.
No entanto, mesmo destacando a recente movimentação do governo sobre a questão social, Lula comentou que o Brasil está sendo governado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que, segundo o ex-chefe do Executivo, não cumpre as metas estabelecidas.
De olho em 2022, com a liderança garantida nas pesquisas eleitorais, Lula reforçou o apelo para que as eleições não sejam priorizadas, uma vez que há o perÃodo de um ano até elas ocorrerem. No momento, o petista destacou que devem ser resolvidos os "problemas sociais do Brasil".
Restabelecendo a promessa feita ao seu eleitorado, o ex-presidente afirmou que, somente no inÃcio do ano que vem, deve definir sobre sua candidatura e, então, começar a fazer viagens pelo Brasil. Contudo, Lula disse que, independentemente de qualquer circunstância, ele fará campanha no ano que vem, seja como candidato, cabo eleitoral ou eleitor.
Fonte: Estadão Conteúdo