15/02/2021 17h53
Pazuello dá recado a Doria: vacinação não começa com 'jogada de marketing'
Em pronunciamento após autorização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do uso emergencial de duas vacinas contra a covid-19 no Brasil, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse ter em mãos os imunizantes, mas afirmou que não iria começar a aplicação de doses neste domingo, 17, em um "ato simbólico ou um ato de marketing". Ao mesmo tempo, o governador João Doria (PSDB) fez evento em que houve a vacinação da primeira pessoa no Brasil com a Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantã e o laboratório chinês Sinovac.
"O Ministério da Saúde tem em mãos, neste instante, as vacinas tanto do Butantã quanto da AstraZeneca. Nós poderÃamos, num ato simbólico ou numa jogada de marketing, iniciar a primeira dose em uma pessoa. Mas em respeito a todos os governadores, prefeitos e todos os brasileiros, o Ministério da Saúde não fará isso. Não faremos uma jogada de marketing", afirmou.
Conforme o ministro, o governo federal determinou que a vacinação contra a covid-19 seja executada pela pasta e argumentou que não poderia ser desprezada a igualdade entre todos os Estados e todos os brasileiros. Ele ainda conclamou os governadores a não permitir movimentos polÃtico-eleitoreiros relacionados à vacinação. Segundo ele, foi "dado o primeiro passo para o inÃcio da maior campanha de vacinação do mundo" e a distribuição da vacina será iniciada nesta segunda, a partir das sete horas, para todos os Estados.
O imunizante produzido pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, que teve aval de uso emergencial pela Anvisa, não está no Brasil. O governo federal tentou a importação de 2 milhões de doses na Ãndia, mas o plano enfrentou problemas. O avião que iria para o paÃs asiático buscar o produto nem chegou a decolar. Com isso, o governo federal se apressou para solicitar nessa sexta, 15, as doses da Coronavac do Instituto Butantã para começar a campanha de vacinação.
Segundo Pazuello, o plano de trazer as doses da Ãndia não foi levado à frente porque o governo local ainda não havia começado a campanha de imunização contra a covid-19. O desgaste polÃtico dos governantes indianos de eventual liberação das 2 milhões de doses antes de começar a vacinação local, portanto, foi um empecilho. "Estamos nas negociações diplomáticas para que seja autorizada a entrega", afirmou Pazuello.
Fonte: Estadão Conteúdo