20/09/2019 21h20
PF é instituição com autonomia, afirma Moro
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, defendeu nesta sexta-feira, 20, as atribuições da PolÃcia Federal e do Poder Judiciário, após crÃticas disparadas contra a realização de buscas e apreensão nos gabinetes do lÃder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e do filho dele, o deputado Fernando Coelho (DEM-PE).
"A PolÃcia Federal é uma instituição com autonomia e suas ações são controladas pela Justiça, não tendo o ministro da Justiça qualquer envolvimento em investigações especÃficas", afirmou Moro à reportagem.
Bezerra Coelho e o filho são investigados por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Delatores afirmam terem repassado R$ 5,5 milhões em propinas ao pai. A Operação Desintegração foi autorizada pelo ministro LuÃs Roberto Barroso, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, chamou a operação de "desarrazoada e desnecessária, em especial pela ausência de contemporaneidade". Ele disse que vai questionar a decisão no Supremo.
A declaração de Moro vem após a defesa de Fernando Bezerra Coelho ter afirmado que a operação era uma retaliação ao senador pela atuação dele contra abusos de órgãos de investigação.
"Primeiro, teve uma declaração dele sobre o Moro ser esquecido. Mas, enfim, é uma retaliação no contexto polÃtico de tudo que está acontecendo", disse o advogado de Bezerra, André Callegari. A frase a que o advogado fez referência foi dita por Bezerra Coelho ao jornal O Estado de S. Paulo no inÃcio do mês.
A defesa da autonomia da PolÃcia Federal é também uma mensagem de Moro para dentro da corporação. Nos bastidores da PF, Moro foi criticado ao longo das últimas semanas por não ter confrontado declarações do presidente Jair Bolsonaro de que poderia mexer na instituição.
Para tentar manter o diretor-geral MaurÃcio Valeixo, sua indicação, Moro adotou como estratégia não reagir publicamente e tentar demonstrar que havia uma "rede de intrigas" buscando opor o presidente ao comando da PF. Até agora, deu certo. Como o Estado mostrou nesta semana, Valeixo será mantido.
Além da frase de Moro sobre a autonomia da PolÃcia Federal, a instituição também foi defendida pelo ministro Barroso.
"A investigação de fatos criminosos pela PolÃcia Federal e a supervisão de inquéritos policiais pelo Supremo Tribunal Federal não constituem quebra ao princÃpio da separação de Poderes, mas puro cumprimento da Constituição", disse o ministro que autorizou a operação.
Barroso disse também que busca e apreensão é uma medida padrão em casos de investigação por corrupção e lavagem de dinheiro e segue os precedentes do Supremo. "Fora de padrão seria determiná-la em relação aos investigados secundários e evitá-la em relação aos principais", disse.
Fonte: Estadão Conteúdo