06/11/2019 20h00
PF abre inquérito sobre depoimento de porteiro no caso Marielle
A PolÃcia Federal atendeu pedido do Ministério Público Federal (MPF) e abriu inquérito nesta quarta-feira, 6, para investigar o depoimento prestado pelo porteiro do condomÃnio Vivendas da Barra, na zona oeste do Rio de Janeiro, no âmbito do caso Marielle Franco.
A solicitação foi atendida horas depois da manifestação da Procuradoria Regional da República, que encaminhou ofÃcio enviado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. Em nota, a Procuradoria indicou que somente se manifestará de forma conclusiva após o fim das investigações.
Há 602 dias Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em circunstâncias que ainda não foram completamente esclarecidas.
No último dia 30, o procurador-geral da República, Augusto Aras, encaminhou ao MPF o ofÃcio assinado pelo ministro Sergio Moro, que pedia a abertura de um inquérito para apurar se houve "tentativa de envolvimento indevido" do nome do presidente na investigação do caso Marielle.
O pedido de Moro foi feito após o presidente acioná-lo para que a PolÃcia Federal escutasse o porteiro novamente.
A solicitação foi atendida por Aras, que disse ainda que já havia recebido uma notificação sobre a citação ao nome do presidente no caso, mas não viu elementos suficientes e mandou arquivá-la.
No documento, o ministro da Justiça apontou que haveria uma inconsistência no depoimento do porteiro do CondomÃnio Vivendas da Barra - onde o presidente morava na época do crime - que "sugere possÃvel equÃvoco na investigação conduzida no Rio de Janeiro".
Segundo reportagem exibida no Jornal Nacional, da TV Globo, o funcionário afirmou à PolÃcia Civil que, à s 17h10 de 14 de março de 2018 (horas antes do crime), um homem chamado Elcio (que seria Elcio Queiroz, um dos acusados pelo duplo homicÃdio) entrou no condomÃnio dirigindo um Renault Logan prata e afirmou que iria à casa 58, que pertence a Bolsonaro e onde morava o presidente. Ronnie Lessa, outro acusado pelo crime, era vizinho do presidente. O então deputado, porém, estava em BrasÃlia, conforme registros da Câmara.
Em setembro, a então a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu que o caso passe a ser conduzido em âmbito federal, o que será analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) até o fim deste ano.
Fonte: Estadão Conteúdo