30/07/2019 07h50
PF não vê indícios de invasão em terra indígena, diz Ministério Público
O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá afirmou nesta segunda-feira, 29, que a PolÃcia Federal (PF) não achou vestÃgios de que a Terra IndÃgena Waiãpi, no oeste do Amapá, tenha sido invadida por garimpeiros. No final de semana, dois funcionários do governo do Amapá e outras duas lideranças indÃgenas afirmaram ao Estado que o cacique Emyra Waiãpi foi morto com sinais de facadas. PolÃticos locais atribuÃram a morte à invasão de garimpeiros.
No sábado, a própria Fundação Nacional do Ãndio (Funai), órgão ligado ao Ministério da Justiça, relatou, em memorando interno, que um grupo de cerca de 15 invasores armados ocupou as imediações da aldeia Yvytotõ. Os moradores da região tiveram que se abrigar em outra aldeia vizinha, chamada Mariry. "Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto", diz o documento. Procurada, a assessoria do órgão afirmou que as informações eram preliminares.
De acordo com o procurador Rodolfo Lopes, porém, uma equipe da PF visitou a área acompanhada por lÃderes dos Waiãpi e não teria encontrado vestÃgios que poderiam caracterizar a passagem dos invasores como pegadas, sinais de fogueira ou acampamento.
"Não se confirma, por ora, a informação que houve invasão", afirmou o procurador em entrevista em Macapá, capital do Estado. Ele disse também não ser possÃvel concluir ainda se a morte do cacique foi homicÃdio, já que há "várias hipóteses" em apuração.
Em nota, o Conselho das Aldeias Waiãpi (Apina) disse que os policiais que fizeram as buscas se recusaram a entrar na mata em busca dos invasores.
Garimpo
O presidente Jair Bolsonaro também colocou dúvidas sobre o episódio. Ele voltou a afirmar que pretende legalizar o garimpo no PaÃs, o que inclui a liberação da atividade em terras indÃgenas. "Usam o Ãndio como massa de manobra, para demarcar cada vez mais terras, dizer que estão sendo maltratados. Não tem nenhum indÃcio forte que esse Ãndio foi assassinado lá. Chegaram várias possibilidades, a PF está lá, quem nós pudemos mandar já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso aÃ." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo