21/09/2019 12h40
Planalto já avalia substituto para Bezerra
O Palácio do Planalto já avalia dois nomes para substituir Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) da liderança do governo no Senado, apesar do apoio de parlamentares à sua permanência no posto. Bezerra colocou o cargo à disposição anteontem, após ter se tornado alvo de uma operação de busca e apreensão da PolÃcia Federal, que vasculhou dois gabinetes do emedebista em uma investigação sobre suspeitas de que ele e seu filho, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE), receberam R$ 5,5 milhões em propinas.
Os dois nomes cogitados para ocupar o cargo de Bezerra devem ser discutidos por aliados com o presidente Jair Bolsonaro quando ele retornar dos Estados Unidos, onde participa da Assembleia-Geral da ONU na próxima semana. "Essa questão ele (Bolsonaro) vai abordar, se assim desejar, no retorno dessa viagem", afirmou ontem o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, quando questionado sobre a permanência de Bezerra na Liderança do Governo. "O presidente hoje tem foco. O foco é Nova York. Nova York é importante para o nosso paÃs", completou.
Enquanto agentes da PolÃcia Federal ainda faziam buscas nas dependências do Senado, anteontem, Bezerra Coelho recebia apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e dos senadores Eduardo Braga (MDB-AM), José Serra (PSDB-SP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) em reunião na residência oficial do Senado.
"Seria muito injusto neste momento o presidente (Bolsonaro) abandonar o Fernando, porque na hora que eles mais precisaram o Fernando foi muito leal a eles", disse Braga, que é lÃder do MDB no Senado e chegou a ter o nome citado por colegas como possÃvel substituto de Bezerra. O lÃder da bancada, porém, rechaçou essa hipótese.
Senadores classificaram Bezerra como um lÃder que permitiu ao Planalto ter uma articulação polÃtica no Senado, apesar do perfil de Bolsonaro de não se aproximar dos congressistas, e destacaram que o emedebista tem bom trânsito entre os parlamentares, inclusive os de oposição. "O senador transita bem na Casa, mas cabe a ele, primeiro em foro Ãntimo, e ao presidente da República essa escolha", disse o vice-lÃder do Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), auxiliar de Bezerra na liderança. "Ele tem sido um bom lÃder, tem conduzindo bem a articulação e dialogado com todas as correntes", afirmou o lÃder do PSD na Casa, Otto Alencar (BA), crÃtico do governo.
Após a decisão do ministro LuÃs Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a operação da PF, Alcolumbre anunciou que a Casa vai questionar a medida na Corte. Na segunda-feira, o presidente do Senado e aliados devem se reunir com advogados da Casa para traçar a estratégia jurÃdica. "Já imaginou se vira usual um delegado pedir diretamente a um ministro do Supremo busca e apreensão no Senado?", afirmou Braga.
Integrantes do Supremo consideraram que a decisão de Barroso tensionou a relação entre o Judiciário e o Legislativo, mas avaliam que, por ora, não há risco concreto de o Senado retaliar o tribunal com a abertura da CPI da Lava Toga. O entendimento é o de que o episódio não abalou a relação entre o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, com as cúpulas do Senado e da Câmara, o que reduz as chances de abertura de uma investigação sobre os magistrados. Após a operação contra Bezerra, Alcolumbre manteve o tom crÃtico em relação à CPI.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, Barroso não informou previamente a Toffoli o aval dado para que policiais federais entrassem no Senado - o presidente do Supremo passou a semana na Colômbia, em um encontro anual de Cortes da América Latina.
'Autonomia'
Em resposta à s crÃticas à operação no Senado, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, defendeu ontem as atribuições e a autonomia da PF. "A PolÃcia Federal é uma instituição com autonomia e suas ações são controladas pela Justiça, não tendo o ministro da Justiça qualquer envolvimento em investigações especÃficas", afirmou Moro ao Estado.
Anteontem, a defesa de Bezerra disse que a operação da PF foi uma "retaliação" pela atuação do senador contra "abusos" de órgãos de investigação. "É uma retaliação no contexto polÃtico de tudo que está acontecendo", afirmou o advogado do parlamentar, André Callegari. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo